Intro

Bem vindo ao blog Cuiqueiros, um espaço exclusivamente dedicado à cuica – instrumento musical tipicamente brasileiro – e aos seus instrumentistas, os cuiqueiros. Sua criação e manutenção são fruto da curiosidade pessoal do músico e pesquisador Paulinho Bicolor a respeito do universo “cuiquístico” em seus mais variados aspectos. A proposta é debater sobre temas de contexto histórico, técnico e musical, e também sobre as peculiaridades deste instrumento tão característico da música brasileira. Basicamente através de textos, vídeos e músicas, pretende-se contribuir para que a cuica seja cada vez mais conhecida e admirada em todo o mundo, revelando sua graça, magia, beleza e mistério. (To best view this blog use the Google Chrome browser)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Clube da Cuica de Fortaleza

Que o Rio de Janeiro e São Paulo são as cidades que concentram o maior número de cuiqueiros no Brasil, isso todo mundo sabe, afinal de contas, são os locais onde se realizam os dois maiores desfiles de carnaval,  com as escolas de samba mais tradicionais do país. Mas a exemplo do que já foi mostrado aqui no blog, como a Confraria da Cuica de Porto Alegre e os Cuiqueiros de Floripa, é com imensa alegria que apresento neste humilde espaço cuiquístico o Clube da Cuica de Fortaleza. Vejam que bacana a matéria "Carícias e gemidos" escrita pelo jornalista Pedro Rocha, publicada em 18 de janeiro de 2012, capa do caderno Vida&Arte do jornal O POVO, de Fortaleza - Ceará. A cuica de norte a sul do Brasil, que maravilha!
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Carícias e gemidos
O POVO on-line (18/01/2012) - por Pedro Rocha

Instrumento impar na música brasileira, a cuica viu multiplicar seus amantes nos últimos dois anos em Fortaleza. Ganhou até clube.

"Ó essa cuica!", grita vez por outra Mônica Andrade, 46, lá de dentro. "Ai meus ouvidos!". A decoradora arrelia-se com o gemido agudo que vem do quintal. O marido, Geraldo Rodrigues Filho, o Júnior da Cuica, todos os dias pega o instrumento e põe-se a viçar na vareta de bambu ali por dentro do corpo metálico. A danada se contorce toda em gaiatices com os agrados dele. "De vez em quando eu dou uns carão", conta Mônica. Ela reclama, mas acha bom. Quando o conheceu, ele já rodava por tudo que era samba da cidade. Não mudou nada de lá pra cá - pelo contrário, o coro aumentou.

No quintal do casal, na rua João Cordeiro, 556, há dois anos reuni-se o auspicioso Clube da Cuica, criado pelo clamor dos homens e mulheres amantes do instrumento e organizado pelo próprio Júnior. O lugar colorido, decorado com espelhos e outros caprichos da dona da casa, é velho conhecido do samba. Ali nasceu há 29 anos o bloco carnavalesco Que Merda é Essa?, que desfilará mais uma vez no sábado, a partir das 20 horas, dedicado aos frevos, marchinhas e sambas das antigas.

"Aqui tem até piscina. Clube não tem que ter piscina, né?", brinca Júnior.

Às terça e quintas, e nas tardes de sábado, os sócios se encontram no dito endereço para conversar, tomar uma cervejinha e tocar cuica, evidentemente. Hoje já são 46 inscritos no Cadastro de Cuiqueiros do Ceará, a grande maioria espalhados pelas alas dedicadas exclusivamente ao instrumento em blocos de Pré-Carnaval. Na bateria do Baqueta, por exemplo, desfilaram no último sábado 18 cuicas, incluindo a do Júnior. A ala da Unidos da Cachorra saiu com meia dúzia, entre elas, a de outro membro do clube, o historiador Renato Freire, 26.

Caçula do grupo, Renato chega ao quintal com o instrumento a tira-colo, que comprou há dois anos no Rio de Janeiro, quando ainda não sabia o que fazer com o pau e o couro. Não obstante as aulas de piano e violão da adolescência, a percussão demorou um pouco mais para entrar na sua vida, o que aconteceu depois de assistir a um cortejo da Cachorra. O caminho da caixa de guerra para a cuica fez em um ano. Hoje é um dos instrutores da ala do instrumento na bateria.

"Eu já achava a cuica impressionante", confessa Renato.

Novos artistas
A sabedoria popular comenta que a cuica tem a mania de conquistar o sambista - ou a sambista, já que o número de cuiqueiras, dizem, cresceu absurdamente no último par de anos - aos poucos, de forma lenta e irrevogável. O sujeito começa pelo pandeiro ou tamborim, ensaia uns chamegos com o surdo, o rebolo, quiçá o repique de mão (existem relatos de homens perdidamente apaixonados por um reco-reco), mas por fim descansa nos braços da sua querida. A relação normalmente influi, para o bem ou para o mal, nas relações conjugais.

Renato é um caso à parte. O jovem afirma sem titubear: "Não tenho problema com mulher". Já Phasconite Franklin, 37, não pode dizer o mesmo, apesar de o fazer sorrindo. O percussionista, que começou menino batucando em um tamborim, faz dois carnavais que inventou de aprender a tocar cuica e convocou os ciúmes da esposa. "A mulher tem raiva, porque acha que eu gosto mais da cuica do que dela", conta. O caso promete repercussão: o filho Davi, de apenas 6 anos, ganhou uma mini-cuica e não quer saber de outra coisa na vida.

"É uma onda, porque minha mulher é evangélica e tenta evitar", revela Phascoal, achando graça. "Eu também tento, vou pra igreja, mas quando chega esse período carnavalesco complica". Não bastasse, a esposa quer levá-lo para um retiro espiritual este ano, o que deve dividir o Carnaval do dono de oficina mecânica ao meio - a cisão milenar entre o sagrado e o profano. "É osso", conclui.

O exemplo vem de casa
Na conversa sobre o Clube da Cuica, Mônica se derrete em elogios ao marido e o inclui entre os três melhores cuiqueiros do Brasil, ao lado do paulista Oswaldinho da Cuica e de Arsênio da Cuica, este último mestre da ala de cuicas da Portela, que em abril do ano passado participou do 1º Encontro do Clube da Cuíca de Fortaleza. A esposa ressalta também os dotes do marino no manejo com o instrumento.

- O Júnior faz a manutenção dessas cuicas todinhas. Ele pega o couro, bota o couro no caldo, tira os pelos, bota o cambito... Muito difícil de botar esse pau ai no meio, eu quero é que você veja. Pra acertar esse meio... Eu já vi muita coisa feia, pau bem aqui de lado. Ele bota bem direitinho - explica Mônica.

- Olha ai, o negócio é esculhambado... - ri Júnior.

- Ele bota beeeem direitinho!

Quem quiser, pois, consertar o seu instrumento ou aprender a tocá-lo, pode procurar o Júnior para se associar ao Clube da Cuica. Durante o Carnaval, os encontros sofrem as intermitências naturais do período, mas, a partir de março, quem passar às terça, quintas e sábados pela rua João Cordeiro, 556, poderá ouvir os gemidos de satisfação.


SERVIÇO  
Clube da Cuica
Onde: Rua João Cordeiro, 556 - Praia de Iracema
Quando: O clube se encontra às terças, quintas e sábados.
Outras informações: (85) 3219 6945 / (85) 8870 8706.
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Pesquisando no YouTube, encontrei outro vídeo super bacana sobre o Clube da Cuica de Fortaleza, exibido no programa VIVA, da TV O Povo. Essa matéria foi produzida durante o 1º Encontro de Cuica do Estado do Ceará, realizado no dia 09 de abril de 2011. O evento contou com a ilustre presença do Sr. Arsênio de Castro, grande cuiqueiro da G.R.E.S Portela, e de um bom contingente de cuiqueiros e cuiqueiras, que liderados pelo Júnior da Cuica, estão de parabéns pela criação do clube. Viva!  

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2 comentários:

  1. Fala ai Paulinho,e zé roberto da cuica,vc poderia dilvulgar o meu CD pra quem quer aprender a tocar esse maravilhoso instrumento.Vc tem o meu contato,o quem quizer sabert mais entra no google,Aulas de Cuica em São Paulo,ai tem um video.

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  2. Cara vc é genial com seu trabalho belíssimo!!! Parabens!!!
    Viva e Salve as cuícas!!!

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