Intro
Bem vindo ao blog Cuiqueiros, um espaço exclusivamente dedicado à cuica – instrumento musical pertencente à família dos tambores de fricção – e aos seus instrumentistas, os cuiqueiros. Sua criação e manutenção são fruto da curiosidade pessoal do músico e pesquisador Paulinho Bicolor a respeito do universo “cuiquístico” em seus mais variados aspectos. A proposta é debater sobre temas de contexto histórico, técnico e musical, e também sobre as peculiaridades deste instrumento tão característico da música brasileira e do samba, em especial. Basicamente através de textos, vídeos e músicas, pretende-se contribuir para que a cuica seja cada vez mais conhecida e admirada em todo o mundo, revelando sua graça, magia, beleza e mistério.
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quinta-feira, 30 de março de 2017
Da cupópia da cuíca: a diáspora dos tambores centro-africanos de fricção e a formação das musicalidades do Atlântico Negro (Sécs. XIX e XX)
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Amado Jorge, a história de uma raça brasileira [Osvaldinho da Cuíca, Namur e Macalé do Cavaco]
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Vídeo-aulas de cuíca [playlist no YouTube]
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Disco 2 - A incrível bateria do Mestre Marçal
E há também, na contracapa do álbum, textos explicativos sobre cada instrumento da bateria em português e em inglês. Consta a informação de que esses textos foram escritos por Regina Werneck, baseados em uma entrevista com Mestre Marçal. Sobre a cuica é dito o seguinte:
CUICA – Instrumento feito de uma barrica de madeira (antigamente; hoje, uma raridade) ou metal, com pele de couro em um dos lados e uma vareta de bambu por dentro, que sai do centro da pele e que é esfregada com uma pano úmido ou mesmo com a mão molhada, para produzir um som bastante exótico, que varia de timbre e complementa o colorido da bateria. Ela não tem uma função de marcação, mas se apresenta como solista, é um instrumento de grande criatividade. A cuica atrai a curiosidade de músicos e turistas estrangeiros por sua originalidade de som, único e divertido.
Acho bem possível que a parte inicial desse texto tenha de fato sido transmitida à referida autora pelo Mestre Marçal. Existem vários registros em que ele revela ter sido presenteado pelo pai com uma cuica de barrica aos sete anos de idade. Foi com essa mesma cuica, inclusive, que Marçal fez inúmeros trabalhos durante toda a vida, dentre eles a participação no primeiro disco do Cartola, em 1974.
Por outro lado, informações neste texto como, por exemplo, a afirmação de que a cuica pode ser tocada diretamente "com a mão molhada", parecem consistir em dados que a autora lamentavelmente repetiu de algum dos muitos textos que há por aí com informações equivocadas, como esta, frequentemente registrada no verbete "cuica" dos dicionários, mesmo aqueles publicados por editoras e autores de grande reputação. Registros históricos demonstram que o pano úmido sempre foi um elemento imprescindível para a execução da cuica, haja vista a composição Molha o Pano, de 1936, ano em que Mestre Marçal completava seis anos de idade. Ou seja, o pano (que ainda hoje utilizamos para tocar nosso instrumento) se mostra presente na realidade da cuica mesmo antes de Marçal ganhar a sua primeira chorona, e por isso duvido que seja dele a afirmação sobre a cuica ser tocada diretamente "com a mão molhada".
Independente de qualquer falha, o texto de Regina Werneck é certamente um esforço importante no sentido de tonar a cuica mais conhecida e traz ainda outras questões dignas de reflexão, por exemplo, ao dizer que a cuica "não tem uma função de marcação, mas se apresenta como solista". Como se sabe, o termo "marcação" é comumente utilizados por boa parte de nós para designar o toque de cuica que fazemos no acompanhamento do samba-enredo. Mas se pensarmos no papel de marcação exercido pelo surdo, atribuir esta função à cuica se torna algo questionável. Afinal, a cuica exerce um papel de marcação e sustentação do andamento rítmico ou seria um instrumento solista, ou de efeito, com a delicada função de complementar o "colorido da bateria"? Espero que vocês, estimados colegas e seguidores desse blog, se sintam estimulados e à vontade para escrever comentários em resposta a esta pergunta.
Por fim, A incrível bateria do Mestre Marçal pode ser apreciado na íntegra clicando AQUI. Além da faixa inicial reproduzida no player acima, Mestre Marçal demonstra no restante do disco outra de suas grandes habilidades, a de cantor, eternizando magistralmente alguns belíssimos sambas-enredo em sua voz.
sábado, 26 de novembro de 2016
Livro: Na bateria da escola de samba
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| CAPA - Na bateria da escola de samba |
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sábado, 1 de outubro de 2016
Vídeo 19 - Cuica Feat (Fabiano Salek)
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quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Disco 1 - O baile do gato
Nos anos 60, era a Secretaria de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro que ficava a frente dos preparativos para o carnaval, incluindo a decoração das ruas, a organização do desfile das agremiações carnavalescas, a criação e distribuição de material promocional e outras providências para o acontecimento da festa. Para 1967, a Secretaria resolveu escolher um gato como símbolo daquele carnaval. A justificativa dada pelo Secretário Carlos Laet pela escolha não poderia parecer mais inusitada: “É ele o maior sacrificado da folia, pois de sua pele fazem-se as cuicas e os tamborins que também marcam o ritmo contagiante das escolas de samba e dos denominados blocos que desfilam nas ruas cariocas no tríduo da folia”. Para dar vida a este infausto felino foi convidado o já famoso cartunista Ziraldo, que mesmo achando a justificativa oficial “um tanto trágica”, cria uma figura alegre, elegante e carnavalizada, registrando sutilmente no jogo de cores a nefasta sina do animal que toca um instrumento feito do seu próprio couro.
Achei muito bacana essa observação sobre as cores em tons avermelhados escolhidas pelo Ziraldo para representar "o maior sacrificado da folia", como disse o então Secretário de Turismo. Essa história de que a pele de gato costumava ser utilizada na cuica já foi abordada aqui na postagem Couro de gato, vale conferir! Mas a real motivação desse novo post é inaugurar uma série de publicações onde apresentarei discos que trazem alguma representação da cuica na capa ou algum registro fonográfico significativo do instrumento.
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| CAPA - O baile do gato |
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| CONTRACAPA - O baile do gato |
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Música 16 - Lá vem cuica
Uma das coisas que conversamos sobre a participação dele nesse trabalho foi um fato curioso que chamou minha atenção ao ler a ficha técnica do disco. A propósito, esse disco, Correio da estação do Brás, do Tom Zé, é absolutamente sensacional!!! Na ficha técnica consta a referência de que a cuíca foi gravada por Oswaldo José Sbarro, sendo que o nome de batismo do Osvaldinho é apenas Osvaldo Barro. Ele me explicou que esse outro Oswaldo é um violinista, já bem mais velho do que ele naquela época, dizendo também que essa semelhança dos nomes causava de fato muita confusão:
– Como ele era velhinho, ele se equivocava e assinava o recibo de cachê que era pra mim. Mas as vezes acontecia o contrário também. Eu tinha que ir lá em Pinheiros, na casa dele, acertar o cachê que pagavam errado pra gente.
Perguntei se ele se lembrava da ocasião em que fez essa gravação e de como conseguiu realizar esse maravilhoso registro:
– Eu não lembro... foi a época que eu mais gravei na minha carreira. Era dia e noite, quatro seções de gravação por dia. Mas era tudo de ouvido. Cuicas afinadas de acordo com a tonalidade, fazendo naipe. Uma cuica de oito vai ter um som penetrante, firme, mais vibrante. E as de nove e meio e dez polegadas têm mais variedade de notas.
Osvaldinho também comentou sobre o seu estilo, expondo sua concepção em relação às diferentes possibilidades de aplicação da cuica em um arranjo musical:
– Virou uma pandemia o uso da cuica com apenas duas notas! É tocar pra frente e pra traz, grave e agudo, e ponto final. Tem que explorar o som do instrumento! Já fui criticado por tocar a cuica parecendo um trombone, mas é que em toda gravação eu procuro adequar na música, eu toco para vestir a música, aplicando com economia.
E o mestre falou também sobre a época em que foi membro do grupo Demônios da Garôa, destacando a participação do grupo na 1ª Bienal do Samba, em 1968, quando defenderam a interessantíssima composição "Mulher, patrão e cachaça", de Adoniran Barbosa.
domingo, 20 de março de 2016
A cuíca do Laurindo
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Oficina de cuíca com Ernani Cal [Monobloco]
- Técnica do instrumento
- Linguagem rítmica
- Desenvolvimento da musicalidade
- Aplicação em repertório
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Pesquisa "CUICAS EM DESFILE"
domingo, 1 de novembro de 2015
1ª oficina de encouramento (Confraria Gambito de Ouro)
O encouramento da cuica, também chamado de empachamento, é um processo bastante específico e que envolve procedimentos difíceis de realizar sem que se tenha a orientação inicial de alguém experiente no assunto. Uma pele bem encourada é um aspecto fundamental para que a cuica esteja em condições de emitir a sonoridade ideal que todos desejam extrair do instrumento. Portanto, é muito importante conhecer todo o processo que envolve encourar a cuica, e quem puder comparecer à oficina da cofraria, não perca essa oportunidade!
quarta-feira, 25 de março de 2015
Entrevista com Wilson das Neves sobre Mestre Marçal [por Valéria del Cueto]
"(...) ele era um gentleman. Só não podia contrariar ele. Se contrariasse ele... por exemplo: a cuíca dele. Nós íamos daqui para a Alemanha e a cuíca ia no colo dele. Ele não deixava ninguém pegar. Nem despachava. Tanto é que ele dizia assim: "isso aqui é o meu Stradivarius". A cuíca era o Stradivarius dele, o violino Stradivarius dele. Era uma cuíca daquelas antigas, das primeiras, que eram feitas de barrica. E muito bem cuidada, tudo cromado. Então era o Stradivarius, não deixava ninguém pegar. Depois ele aposentou essa, pra que ela ficasse num museu, e ele comprou as mais modernas. Mas ele gostava era dessa, a Stradivarius".
segunda-feira, 2 de março de 2015
Vídeo 18 - Wilson das Neves tocando cuíca
sábado, 27 de dezembro de 2014
Percusión Brasileña [Fernando Marcon]
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| Nota aguda: pressionar a pele Nota grave: soltar a pele |
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Bloco das Cuicas - 3º ANO
Em 2013, tivemos a imensa alegria de ver o Bloco das Cuicas fazer a sua segunda participação, e é maravilhoso ver que o bloco estará lá novamente, com o seu vagão repleto de cuiqueiros rumo ao bairro de Oswaldo Cruz. É a cuica recebendo também a sua parcela de reconhecimento pela importância que tem para o samba e, consequentemente, para a cultura brasileira.
Então, no próximo sábado, dia 6 de dezembro, a festa itinerante sairá da Central do Brasil com destino ao subúrbio carioca. O Bloco das Cuicas estará no primeiro vagão do trem que parte às 19h24min. Mas a concentração do bloco se inicia às 14h30min, no estacionamento ao lado da Escola Municipal Tia Ciata, onde será feita a distribuição das camisetas até as 15h30min. Quem puder, não deixe de ir. No ano passado, foi mais ou menos assim:
domingo, 23 de novembro de 2014
A cuica na arte de Heitor dos Prazeres
domingo, 9 de novembro de 2014
Vídeo 17 - Mart'nália - Filosofia
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
1º Workshop da Cuica [resultados]
1) Posicionamento da cuica na bateria - Este primeiro tema tratou do posicionamento da cuica quando feito na frente, no meio ou no fundo da bateria. Segundo os mestres, o que determina a posição do naipe de cuica é a qualidade dos instrumentistas. Se o naipe é formado por bons cuiqueiros, capazes de fazer com que as cuicas sirvam como referência ao mestre para a manutenção do andamento, as cuicas certamente estarão na primeira fileira da bateria. Mas se o naipe não possui uma boa consistência, podendo até mesmo atrapalhar o mestre na regência da bateria, as cuicas fatalmente serão posicionadas mais ao fundo.
2) Relação entre cuiqueiro e escola - Este tema buscou abordar alguns dilemas existentes na relação entre os cuiqueiros e as escolas de samba. Os cuiqueiros chamaram atenção para o fato de a cuica ser um instrumento particular, isto é, que cada cuiqueiro utiliza a sua própria cuica nos ensaios e desfiles, ao contrário dos demais instrumentos que pertencem e são de responsabilidade das escolas de samba. Isso faz com que os cuiqueiros sejam obrigados a bancar os custos de manutenção da cuica com seus próprios recursos, uma despesa alta que poderia ser amenizada caso, por exemplo, as escolas fornecessem o couro para os cuiqueiros utilizarem em suas cuicas. As escolas e os mestres de bateria, por sua vez, argumentam que o comportamento do cuiqueiro, de um modo geral, não se faz da maneira ideal. A principal reclamação é a ausência dos cuiqueiros nos ensaios da bateria, ou seja, a falta de comprometimento do instrumentista com a escola. Isso se deve talvez à quantidade excessiva de escolas que boa parte dos cuiqueiros procuram desfilar a cada carnaval, o que torna praticamente impossível participar regularmente dos ensaios de todas as escolas onde pretendem desfilar.
3) Tipos de marcação: livre X padronizada - O terceiro e último tema debatido entre os mestres e os cuiqueiros foi sobre as diferenças entre o toque da cuica ser feito de maneira livre por cada cuiqueiro ou padronizada entre todos os integrantes do naipe. Parece que sobre essa questão os mestres de bateria e os cuiqueiros compartilham da mesma opinião: favorável à padronização da marcação. Entende-se que, se todos os cuiqueiros do naipe executarem rigorosamente a mesma marcação, haverá maior definição no efeito sonoro das cuicas, maior potência de volume e o naipe soará mais harmonioso.
Acredito que a conclusão que se pode tirar dessas reflexões seja a constatação de que esses temas formam um circulo vicioso cujo eixo gira em torno do mau comportamento dos cuiqueiros. É claro que não podemos generalizar, pois nem todos se comportam mal. Mas se queremos ter apoio das escolas, ganhar couro e outros materiais que nos ajudem a reduzir os custos de manutenção dos nossos instrumentos, devemos todos agir de maneira que os mestres de bateria nos prestigiem e reivindiquem por nós o apoio que necessitamos junto à presidência e diretoria das escolas de samba. Se desejamos manter o tradicional posicionamento das cuicas na primeira fileira da bateria, devemos todos nos aprimorar musicalmente e assim fazer com que os mestres confiem na qualidade dos seus cuiqueiros. A tendência pela padronização das marcações é um esforço neste sentido, mas seu resultado apenas surtirá efeito se todos nós compreendermos que a bateria da escola de samba é um organismo coletivo onde a individualidade deve ter um papel secundário.
Mas para comprovar que também devemos dar atenção para a cuica em performances individuais, o encerramento do evento contou com a participação especial do grande Indio da Cuica. Demonstrando sua impressionante habilidade em executar melodias com a "chorona", Indio apresentou um repertório formado por músicas de sua autoria e também alguns clássicos da música popular brasileira, fechando o 1º Workshop da Cuica com chave de ouro.
domingo, 7 de setembro de 2014
1º Workshop da Cuica
O 1º Workshop da Cuica é uma iniciativa cultural com os seguintes objetivos:
- Incentivar a reflexão sobre a cuica em seus mais variados aspectos;
- Defender a importância da cuica para o samba e a cultura brasileira;
- Debater questões técnicas e conceituais da cuica em relação à bateria;
- Estimular o senso de autocrítica nos integrantes do naipe de cuicas;
- Contribuir para a integração dos movimentos de cuiqueiros do Brasil/mundo.
- Posicionamento da cuica na bateria (frente - meio - fundo);
- Relação entre cuica/cuiqueiro e bateria/escola;
- Marcação da cuica: livre ou padronizada?
*em seguida, será servida a feijoada e o evento se desdobrará na festa da bateria da União da Ilha do Governador.
Data: 14 de setembro de 2014
domingo, 31 de agosto de 2014
4º CUICARIOCA
OBS.: o acesso à belíssima quadra da escola deve ser feito pela rua São Clemente. Aqueles que forem de carro deverão estacionar nas imediações e caminhar pela curta ladeira que leva à quadra.
domingo, 17 de agosto de 2014
Música 15 - Dois sem vergonha
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Homenagem a Zeca da Cuica por seus 80 anos
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| Zeca da Cuica - Década de 1970 |
A sonoridade da cuica ganha uma qualidade muito especial nas mãos do Zeca, pois seu estilo reúne fundamentos desses universos musicais distintos, das baterias das escolas e rodas de samba, onde prevalecem a esponteniedade e improvisação, em contraste com a sensibilidade e profissionalismo que os estúdios de gravação exigem dos músicos.
A música a seguir tem um título que já diz tudo: Tema do Zeca da Cuica. Trata-se de uma homenagem feita pela violonista e compositora Rosinha de Valença ao seu amigo Zeca, gravada em 1976 no disco Confusão Urbana, Suburbana e Rural, de outro grande amigo do Zeca, o excepcional clarinetista Paulo Moura. Essa faixa começa com "Bicho papão", composição de Martinho da Vila, Wagner Tiso e Paulo Moura, e aos 2:17min inicia a música em homenagem ao Sr. Zeca.
Mas a relação do Zeca com a Estácio e o morro de São Carlos também é muito forte, e uma prova disso é o trecho contido no livro Samba, Cuica e São Carlos que apresenta este breve depoimento do ZK, como o nosso mestre gosta de ser citado:
Um dos herdeiros da virtuosidade e elegância ritmica da geração dos pioneiros é o cuiqueiro José de Oliveira, conhecido artisticamente como Zeca da Cuica, agraciado, em 21 de março de 2000, com a medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara de Vereadores da Cidade do Rio de Janeiro aos cidadãos que, com seu trabalho, enaltecem a cidade. Zeca da Cuica assim se apresenta: "eu, José de Oliveira, 70 anos de idade, conhecido como Zeca da Cuica, brasileiro, casado, pai de quatro filhos, doze netos e um bisneto, membro do coral da COMLURB - Companhia Estadual de Limpeza Urbana -, há 38 anos cuiqueiro por vocação. Para ilustrar, seguem alguns nomes inesquecíveis, os quais tive o privilégio de acompanhar: mestre Candeia, Cartola, Nelson Cavaquinho, Elizeth Cardoso, Ismael Silva (fundador da primeira escola de samba do Estácio) e Carmem Costa, todos no teatro Opinião. E, ainda, Almir Guineto, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, João Bosco, Jovelina Pérola Negra; Rafael Rabelo, Zimbo Trio e a Orquestra Sinfônica de Curitiba, na Sala Cecília Meireles; Elis Regina, Marisa Monte, Paulinho da Viola; Gil e Caetano no disco Tropicália 2. Os mestres que me ensinaram a tocar cuica foram Ministro, Boca de Ouro, Fumanchú, Oliveira do morro de São Carlos, Germano da Cuica da Mocidade Independente de Padre Miguel e o grande mestre Marçal...".
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| Os Originais do Samba - Década de 1960 - Zeca sentado com a cuica |
Mas nesse meio tempo, devido à complicações de um glaucoma, o Sr. Zeca foi aos poucos perdendo a visão até ficar completamente cego. Consequentemente, à medida que a idade também ia avançando, os convites para gravações e shows foram diminuindo, mas sua paixão e habilidade para tocar cuica permanecem firmes. O vídeo abaixo traz o registro da homenagem feita ao Sr. Zeca durante o 10º encontro de cuiqueiros do Rio de Janeiro, realizado tradicionalmente a cada 21 de abril, o Dia da Cuica.





















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