Intro

Bem vindo ao blog Cuiqueiros, um espaço exclusivamente dedicado à cuica – instrumento musical pertencente à família dos tambores de fricção – e aos seus instrumentistas, os cuiqueiros. Sua criação e manutenção são fruto da curiosidade pessoal do músico e pesquisador Paulinho Bicolor a respeito do universo “cuiquístico” em seus mais variados aspectos. A proposta é debater sobre temas de contexto histórico, técnico e musical, e também sobre as peculiaridades deste instrumento tão característico da música brasileira e do samba, em especial. Basicamente através de textos, vídeos e músicas, pretende-se contribuir para que a cuica seja cada vez mais conhecida e admirada em todo o mundo, revelando sua graça, magia, beleza e mistério.

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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Homenagem a Zeca da Cuica por seus 80 anos

Zeca da Cuica - Década de 1970
Zeca da Cuica, uma das maiores referências para nós cuiqueiros, completa hoje 80 anos de vida e este humilde espaço cuiquístico não poderia deixar de exaltar o Sr. Zeca nessa data tão especial. Nosso mestre se destacou desde muito jovem no ambiente das escolas de samba e desfiles de carnaval, mas deixou seu nome marcado na história da música brasileira quando passou a atuar nos estúdios de gravação, registrando sua arte em discos de inúmeros artistas dos mais variados gêneros musicais.

A sonoridade da cuica ganha uma qualidade muito especial nas mãos do Zeca, pois seu estilo reúne fundamentos desses universos musicais distintos, das baterias das escolas e rodas de samba, onde prevalecem a esponteniedade e improvisação, em contraste com a sensibilidade e profissionalismo que os estúdios de gravação exigem dos músicos.

A música a seguir tem um título que já diz tudo: Tema do Zeca da Cuica. Trata-se de uma homenagem feita pela violonista e compositora Rosinha de Valença ao seu amigo Zeca, gravada em 1976 no disco Confusão Urbana, Suburbana e Rural, de outro grande amigo do Zeca, o excepcional clarinetista Paulo Moura. Essa faixa começa com "Bicho papão", composição de Martinho da Vila, Wagner Tiso e Paulo Moura, e aos 2:17min inicia a música em homenagem ao Sr. Zeca.


Além de participar em gravações como esta, nosso homenageado também tem um longo histórico de atuação em duas escolas de samba: uma é a Estácio de Sá, antiga Unidos de São Carlos, do local onde ele mora praticamente desde que nasceu; e a outra é a Acadêmicos do Salgueiro, a primeira a lhe abrir as portas e permitir que desfilasse tocando cuica. Inclusive, foi o Sr. Djalma Sabiá - um dos fundadores do Salgueiro - quem deu ao Zeca a sua primeira "chorona".

Mas a relação do Zeca com a Estácio e o morro de São Carlos também é muito forte, e uma prova disso é o trecho contido no livro Samba, Cuica e São Carlos que apresenta este breve depoimento do ZK, como o nosso mestre gosta de ser citado:

Um dos herdeiros da virtuosidade e elegância ritmica da geração dos pioneiros é o cuiqueiro José de Oliveira, conhecido artisticamente como Zeca da Cuica, agraciado, em 21 de março de 2000, com a medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara de Vereadores da Cidade do Rio de Janeiro aos cidadãos que, com seu trabalho, enaltecem a cidade. Zeca da Cuica assim se apresenta: "eu, José de Oliveira, 70 anos de idade, conhecido como Zeca da Cuica, brasileiro, casado, pai de quatro filhos, doze netos e um bisneto, membro do coral da COMLURB - Companhia Estadual de Limpeza Urbana -, há 38 anos cuiqueiro por vocação. Para ilustrar, seguem alguns nomes inesquecíveis, os quais tive o privilégio de acompanhar: mestre Candeia, Cartola, Nelson Cavaquinho, Elizeth Cardoso, Ismael Silva (fundador da primeira escola de samba do Estácio) e Carmem Costa, todos no teatro Opinião. E, ainda, Almir Guineto, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, João Bosco, Jovelina Pérola Negra; Rafael Rabelo, Zimbo Trio e a Orquestra Sinfônica de Curitiba, na Sala Cecília Meireles; Elis Regina, Marisa Monte, Paulinho da Viola; Gil e Caetano no disco Tropicália 2. Os mestres que me ensinaram a tocar cuica foram Ministro, Boca de Ouro, Fumanchú, Oliveira do morro de São Carlos, Germano da Cuica da Mocidade Independente de Padre Miguel e o grande mestre Marçal...".

Os Originais do Samba - Década de 1960 - Zeca sentado com a cuica

Um fato muito importante na carreira artística do Zeca, mas que não consta nesse relato, é a participação dele no grupo Os Sete Modernos do Samba, conhecido mais tarde como Os Originais do Samba, do qual Zeca é um dos fundadores. Apesar de integrar o Originais por pouco tempo, foi com este grupo que ele se destacou como exímio cuiqueiro, sendo convidado para gravar nos discos desses artistas todos que ele mesmo citou e, enfim, se firmar profissionalmente no meio musical.

Mas nesse meio tempo, devido à complicações de um glaucoma, o Sr. Zeca foi aos poucos perdendo a visão até ficar completamente cego. Consequentemente, à medida que a idade também ia avançando, os convites para gravações e shows foram diminuindo, mas sua paixão e habilidade para tocar cuica permanecem firmes. O vídeo abaixo traz o registro da homenagem feita ao Sr. Zeca durante o 10º encontro de cuiqueiros do Rio de Janeiro, realizado tradicionalmente a cada 21 de abril, o Dia da Cuica.


Toda essa postagem diz muito pouco da importância do Sr. Zeca em relação à cuica. Ainda há muito o que dizer a seu respeito e serão necessárias muitas outras publicações para dimensionar a sua grandeza como músico e ser humano. Afinal, 80 anos não são 80 dias. Parabéns, Sr. Zeca! E obrigado por tudo!
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domingo, 1 de junho de 2014

Livro: Samba, Cuíca e São Carlos

Estive no lançamento do livro Samba, Cuíca e São Carlos há pouco mais de um mês e pude conversar com o autor, Carlos Nogueira, sobre uma questão que me deixou curioso: a palavra cuíca no título da obra. Apesar de tal fato sugerir que o texto contenha algo sobre o nosso estimado instrumento musical, na verdade há pouco nesse sentido. O livro é um interessante documento sobre o Morro de São Carlos e sua importância na história do samba e do carnaval. Segundo o autor, a cuíca entra no título porque "simboliza a alma do samba e sua sonoridade mimetiza a dor daqueles que ajudaram e continuam a construir o Brasil".


Em Samba, cuíca e São Carlos, Carlos Nogueira reconstrói a memória social do Morro de São Carlos, localizado no Estácio, bairro da cidade do Rio de Janeiro onde foi fundada a primeira escola de samba, a Deixa Falar, em 1928, e lugar de resistência e afirmação da identidade afro-descendente.

Nogueira começa a frequentar o Morro de São Carlos em 1998, quando passa a conviver e colher depoimentos de seus moradores, remanescentes da escola de samba Unidos de São Carlos. O autor conversou com compositores, passistas, personagens lendários do São Carlos, como Marly do Estácio, Zacarias, Sidney Conceição, Jorge Cabo, Oliviel, Mago, Wanderley Caramba, Zeca da Cuíca e muitos outros, recompondo assim a memória de uma das favelas mais antigas da cidade e do bairro no qual se localiza.

Nesse percurso, Nogueira também aborda a diversidade étnico-cultural da cidade do Rio de Janeiro nos idos da década de 1920, as políticas de higienização do governo de então e o surgimento do samba urbano carioca. 

A importância da Praça Onze, os carnavais, o Morro de São Carlos, os enredos da Unidos de São Carlos e da Estácio de Sá são objetos deste livro, em que seu autor nos traça um precioso roteiro do processo de surgimento de um dos nossos patrimônios culturais mais valiosos – o samba.

Carlos Nogueira nasceu no Rio de Janeiro. É graduado em Letras pela UFRJ e Mestre em "Memória Social e Documento" pela UNIRIO. Autor do livro Olhar de Ifá e dos vídeos Deixa Falar: 100 anos de Ismael e Mulheres Guerreiras. Atua profissionalmente na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na fronteira das áreas de comunicação, cultura, memória e documentação.
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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Música 14 - A cuica chora

A música dessa postagem é da autoria de Marquinho China e foi gravada no disco "Prazer: Partido-Alto", ao lado de outros três grandes sambistas: Tantinho da Mangueira; o já saudoso Renatinho Partideiro; e o Serginho Procópio, atual presidente da Portela


E o cuiqueiro responsável pelos belos fraseados da cuica nessa gravação é o Quirininho da Cuica, filho do nosso baluarte Quirino Lopes, antigo diretor do naipe de cuica da Mocidade Independente de Padre Miguel, posto que Quirininho herdou do pai, assim como o talento para a música.


A cuica chora
(Marquinho China)

A cuica chora por mim
A cuica chora por mim
Chora de saudade 
De uma amor de verdade 
Que chegou ao fim
(Mas a cuica chora assim)

Sempre que a vida permite
Eu aceito o convite e vou pra orgia
Mas a saudade não sabe se fica
E a triste cuica a saudade anuncia
Chora cuica danada 
Que a rapaziada não tá de bobeira
Essa cuica empolgada
Foi que me levou pro morro da Mangueira

Refrão

Quando ouço uma cuica
É que o samba já está vindo
Quando ela tá chorando
É sinal que estou sorrindo
Nem todo choro é de tristeza
Nem todo choro é de alegria
Se eu toco uma cuica hoje
Eu só vou parar depois do meio dia

Refrão

Meu compadre 
Olha na verdade o samba como fica
Samba pra ficar gostoso
Tem que ter pandeiro e cuica
Eu sei que mais cedo ou mais tarde
A saudade covarde vai largar de mim
Mas enquanto houver dor no meu peito
A cuica sem jeito vai chorando assim

Refrão

Chora que lindo cuica
Deixa de conflito isso não é legal
O choro que sai da cuica
Eu não sei se tem gosto de água com sal
Chora cuica cuica bonita
Pelos becos e vielas
Ela chora os meus lamentos
Eu choro os lamentos dela
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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Movimento Salve às Cuicas

O Movimento Salve às Cuicas é mais uma importante iniciativa que visa o fortalecimento dos laços de amizade entre os cuiqueiros e, acima de tudo, contribuir para que a cuica seja um instrumento musical cada vez mais admirado por todos. Movimentos como este têm acontecido em várias regiões do Brasil (vide Do Oiapoque ao Chuí) e agora é a vez dos cuiqueiros de São Paulo monstrarem sua paixão pela "chorona".

Portanto, em nome dos amigos de SP, todos estão convidados para o 1º Encontro Movimento Salve às Cuicas, que será realizado no próximo domingo, dia 04 de maio, das 13h às 17h, na quadra da Acadêmicos do Tatuapé - Rua Melo Peixoto nº 1513, Tatuapé (perto do metrô Carrão). A organização do evento pede a contribuição de 1kg de carne por pessoa para o churrasco e, é claro, que todos estajam devidamente acompanhados de suas respectivas cuicas. E segue o belo texto do amigo Ubiratan, organizador do evento, onde, em tom de manifesto, expõe as razões para a criação do movimento.


Movimento Salve às Cuicas

A nossa querida "chorona" é um dos instrumentos que mais possui identificação com a bateria de escola de samba, onde foi recriada, lá nos meados dos anos 20 do século passado, alterando a sua forma e o jeito de tocá-lo. Com o passar dos anos e o aperçoamento dos "cuiqueiros", foram descobrindo todas as possibilidades que esse instrumento único oferece.

Utilizada por muitos mestres de bateria, para proporcionar a leveza em uma bateria, oferece o swing, o molejo, o balanço que faz do samba o ritmo tão apaixonante, tão empolgante e ao mesmo tempo tão singular.

Mas com o rumo que as coisas estão tomando, essa "manhosa" corre o sério risco de desaparecer da bateria. Motivos, são vários, pode-se ficar argumentando várias horas, pois todos têm alguma razão, contudo, o fato é que esse instrumento tão identificado, intrinsecamente envolvido com a história do samba e consequentemente do carnaval, não faz parte dos itens obrigatórios de uma bateria de escola de samba.

Com a ajuda de todos os apaixonados por este instrumento, aqueles que as possuem, aqueles que apenas são amantes do seu som, temos que buscar esse reconhecimento, temos que buscar essa homenagem, pois com isso, estaremos perpetuando, dando continuidade e uma sobrevida para este tão singular instrumento, a nossa querida cuica.
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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Vídeo 16 - Cuíca Choreography

A cuíca já foi tema para aplicativo de celular como o Cuíca Lite e o CuícApp; tema para as artes visuais, nas colagens de Gilberto Mello e nos desenhos do Lan; e também não poderia deixar de ser tema para os poetas da música popular, como fizeram Wilson Baptista e Haroldo Lobo no samba "Como se faz uma cuíca". 

Mas hoje, em comemoração ao Dia da Cuíca, iremos apreciar o trabalho da companhia de dança Samba Performers numa performance em que a trilha sonora dá destaque para a chorona e os passos da dança seguem os sons do instrumento. 

Não é novidade para ninguém que os cuiqueiros adoram reverenciar as belas passistas e rainhas de bateria, assunto da postagem "O cuiqueiro e a passista", mas aqui temos uma homenagem inversa. Agora são as passistas que reverenciam a cuíca nesta criação da coreógrafa Angelique Starks

A música utilizada como trilha sonora foi gravada pelo grupo Fiesta Brazil. Por enquanto, ainda não sei o nome do cuiqueiro que realizou esta gravação, mas está à altura das belas dançarinas. E viva a chorona!!!

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sábado, 12 de abril de 2014

Vídeo 15 - 1º Encontro de Cuiqueiros - Belo Horizonte

Documentário sobre o 1º Encontro de Cuiqueiros feito na Praça da Estação, em Belo Horizonte, em 17 de fevereiro de 2013.

"A cuica nada mais é que celebrar a vida, brincar, se divertir!" 
 

sexta-feira, 21 de março de 2014

2º Encontro de cuicas de Belo Horizonte

Na última postagem, mencionamos o Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, realizado em Belo Horizonte, onde uma das canções concorrentes foi justamente "O Pano da Cuica", que apesar de usar a cuica apenas como um pretexto para dar outra conotação à sua mensagem, não deixa de ser um registro interessante envolvendo a nossa querida "chorona".

Mas, além deste evento, Belo Horizonte viu acontecer outra importante iniciativa em prol da revitalização do seu carnaval: o 2º Encontro de Cuicas de Belo Horizonte. Graças a pessoas como o Luciano Cuica Play, Rafael Leite e outros mais, a cuica tem sido reverenciada na capital mineira e a amizade entre os cuiqueiros locais fortalecida. Bom para a cuica, bom para o samba, pro carnaval e para a vida cultural de BH, cidade de enorme importância artística para o Brasil. Tomara que o futuro reserve inúmeros novos encontros como o deste ano e que se repitam momentos como os registrados neste vídeo:


E por falar em encontro de cuiqueiros, daqui a exatamente um mês, no dia 21 de abril, será realizado o 10º Encontro de cuiqueiros do Rio de Janeiro, em comemoração ao Dia da Cuica. A data ainda não é oficial, mas existe um projeto de lei (PL n.º 197/2013) para a sua oficialização no município do Rio de Janeiro. Independente de ser oficial ou não, todos os que puderem comparecer no próximo dia 21, a partir das 13h, na quadra da G.R.E.S. União de Jacarepaguá serão muito bem chegados. A entrada é gratuita e cada pessoa deverá levar 1kg de carne para o churrasco, conforme solicitação do Sr. João da Cuica, organizador do evento. Já as bebidas serão vendidas no bar da escola. E não deixem de levar as suas respectivas cuicas, é claro!
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quarta-feira, 12 de março de 2014

Música 13 - O Pano da Cuíca

O Pano da Cuíca concorreu ao prêmio do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, realizado em Belo Horizonte no carnaval de 2014. Além de homenagear o saudoso Mestre Jonas, sambista e agitador cultural da cidade falecido em 2011, o concurso visa resgatar a tradição das marchinhas no carnaval da capital mineira. A irreverência é uma característica muito comum neste gênero musical, muitas vezes através de frases com duplo sentido, como no caso desta composição. O Pano da Cuíca ficou entre as doze finalistas do concurso, mas aqui é incontestavelmente eleita a marchinha campeã!



O Pano da Cuíca
(Flávio Henrique, Gustavo Maguá e Marcos Frederico)

Acha o pano
O pano é essencial
Vem cá, vem meu bem
Acha o pano pra mim
Acha o pano que é carnaval

Perdi o pano da cuíca
E a baqueta do tamborim
A baqueta eu encontrei, já tá na mão
Vem cá meu bem
Acha o pano pra mim

O pano é muito importante
Sem ele o som fica ruim
 Sem o pano não vai ter cuíca não
Vem cá meu bem
Acha o pano para mim
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Vídeo 14 - Cuíca exige anos de dedicação dos ritmistas no carnaval

Este vídeo consiste numa reportagem televisionada ontem, 19 de fevereiro de 2014, onde Carlinhos da Cuíca é mais uma vez reverenciado por sua trajetória ímpar como exímio cuiqueiro e por seu notável trabalho de ensino do instrumento. Além dele, também são entrevistados Nilton Lopes, igualmente responsável pela formação de inúmeros cuiqueiros e cuiqueiras no Rio de Janeiro; Oscar Bolão, autor do método Batuque é um Privilégio, com vários exercícios para cuíca escritos em partitura; e Mestre Capoeira, defensor da ideia de que o naipe de cuíca deve sempre desfilar nas primeiras fileiras da bateria, como ele mesmo faz na escola Império da Tijuca. Várias questões interessantes são abordadas ao longo de toda a reportagem, que termina com a mensagem de que todas as pessoas podem aprender a tocar cuíca. Basta querer e se entregar de coração, por mais que seja um instrumento que realmente exige dedicação.



Nosso agradecimento ao amigo Carlinhos Alvinegro pela indicação do vídeo.
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Cuiqueiros 6 - Quirino Lopes

Todo ano, nas semanas que antecedem o carnaval, a imprensa costuma publicar matérias relacionadas às escolas de samba. Na maioria das vezes, são entrevistas com algum profissional de destaque ou celebridade, como os carnavalescos e as rainhas de bateria. De vez em quando, as reportagens abrem uma exceção e dão espaço para algum baluarte. Em 2012, Quirino Lopes, ex-diretor do naipe de cuíca da Mocidade Independente de Padre Miguel, concedeu uma entrevista ao jornal Extra, reproduzida abaixo. Um registro breve de algumas poucas palavras que revelam, nas entrelinhas, a intensidade de um grande amor á cuíca e ao samba.

Mestre Quirino e a cuíca cravejada de moedas
colecionadas dos países onde já se apresentou.
Foto: Fernanda Dias

Mestre Quirino, o último grande cuiqueiro, diz que falta amor ao carnaval e mostra mocidade, aos 88 anos.

Foi em uma época em que o carnaval e candomblé ainda se confundiam, no longínquo 1938, que o garoto Quirino viveu seu primeiro carnaval. Longe das cuícas, que marcariam a sua carreira de músico, ele entrou no mundo do samba com um isqueiro na mão, aquecendo o couro dos surdos e tamborins com tochas de jornal, que serviam para afinar os instrumentos. Agora, o mestre se prepara para o 74º carnaval. Neste não vai tocar cuíca. Mas garante que vai desfilar na Velha guarda da Mocidade Independente com uma grande certeza.

— Meu filho, Quirininho, me disse outro dia: “Pai, quando o senhor for embora, a sua arte não vai morrer”. Eu acredito nisso — diz, entre lágrimas.

A idade permite também outras certezas, não tão boas:

— O carnaval já não é mais o mesmo. O que eu vejo é que falta amor. As pessoas saem em três, quatro escolas e não saem em nenhuma.

Até a Europa aplaudiu

Quem olha para o instrumento de estimação, com moedas de vários países, pode achar que levar a vida na cuíca foi fácil.

— Eu tomava uma cachacinha e o troco ia pra cuíca. Tem a Europa toda aqui. Criei meus oito filhos com ela — brinca o mestre, que aprendeu a tocar o instrumento nos terreiros de candomblé.

Hoje, a voz arrastada não lembra mais a do moleque que trabalhava de acendedor na Acadêmicos do Santo Antônio. A religião também já não é tão presente:

— Não pude homenagear São Sebastião, meu Oxóssi. Não tive dinheiro — lamenta.
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Trem do samba no Japão


A grande festa do Trem do Samba, realizada há 18 anos no Rio de Janeiro em comemoração ao dia nacional do samba, e que nas duas últimas edições contou com o sensacional Bloco das Cuícas, agora ganhou uma versão nos trilhos de Tóquio por iniciativa da Confederação de Cuiqueiros do Japão. A estreia do que poderia ser chamado de "trem bala do samba" aconteceu em dezembro de 2013.


Chegando à estação final, o trem parou, mas a diversão não, e o comboio seguiu para a tradicional Festa da Cuíca, realizada naquela que foi sua 5ª edição. Parabéns aos cuiqueiros do Japão!!! Arigatô!!!


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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Bloco das Cuícas 2013

Dando continuidade ao tema abordado nas duas últimas postagens, segue o registro em vídeo feito pela amiga Zezé Fonseca mostrando alguns momentos do Bloco das Cuícas no Trem do Samba de 2013. E mais abaixo, além da fotografia que reúne boa parte dos cuiqueiros que estiveram presentes, transcrevo algumas palavras do Luizinho, responsável pela organização do bloco, que traduzem muito bem o espírito amistoso dessa turma. Viva o Bloco das Cuícas!!! 


Fizemos mais uma vez o TREM do SAMBA, e essa foi a nossa 2ª edição, nossa segunda participação. Quando aconteceu a reunião com o Marquinhos de Oswaldo Cruz, lá na "Portelinha", ele me confidenciou o seguinte: "enquanto eu Marquinhos estiver respirando, e até o meu último suspiro..., quero vocês junto comigo no TREM do SAMBA, vocês trouxeram mais alegria, ritmo, e sorrisos para Oswaldo Cruz..., vocês são show!" Mas apesar de termos feito bonito, mais uma vez, devemos sempre estar melhorando a cada ano. Nossa alegria, nosso ritmo e nossa UNIÃO, deve ser MAIOR sempre..., UNIDOS PODEMOS TUDO..., e o BLOCO das CUICAS é hoje uma REALIDADE, e isso graças a UNIÃO de TODOS NÓS..., e que assim seja! NOSSA PARTICIPAÇÃO NO TREM do SAMBA tem como OBJETIVO MAIOR..., "FORTALECER" a CUICA!!!

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sábado, 7 de dezembro de 2013

Desembarque obrigatório

Para fechas as postagens de 2013 com chave de ouro, após mais doze meses de trabalho e pesquisa dedicados à cuica, como prova de que nosso amado instrumento musical merece um papel de destaque, enalteço a equipe de redação do caderno Rio Show - jornal O Globo - pela excelente escolha da imagem impressa na capa de sua última edição, publicada ontem, trazendo uma matéria especial sobre o Trem do Samba. Oswaldo Cruz vai tremer com o Bloco das Cuicas! Até!!!

Capa Rio Show - 06 de dezembro de 2013
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Trem do Samba 2013 - Bloco das cuicas

Segundo as orientações do amigo Luizinho, grande batalhador para a permanência do Bloco das Cuicas no Trem do Samba, nossa participação no evento será dia 7 de dezembro (próximo sábado), partindo da estação Central do Brasil rumo a Oswaldo Cruz pontualmente às 19hs e 14min, no 1º vagão do 4º trem. Chegando em Oswaldo Cruz, partiremos da estação - tocando sob os comandos do Mestre Odilon - até a Rua Adelaide Badajós, concentrando em frente ao Bar do Pedrinho, nosso ponto de confraternização. 


As camisetas serão distribuídas entre 15hs e 16:30min no prédio "balança mas não cai" e poderão ser retiradas pelos cuiqueiros previamente inscritos, que se encontram com os nomes listados neste documento. Faremos a nossa concentração neste mesmo local, onde também serão esclarecidos maiores detalhes sobre a organização do bloco em relação ao evento. E viva a cuica, viva o samba, e viva todos os cuiqueiros do Rio, do Brasil e do mundo inteiro!
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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Três anos sem Ovídio

Hoje se completam três anos do falecimento de Ovídio Brito. Três anos que ele está lá, no quintal do céu, encantando a todos com o som divino de sua cuica. Podemos apreciar um pouco de sua enorme sensibilidade cuiquística através deste vídeo, onde o vemos ao lado do compositor Moacyr Luz cantando Samba de Fato, uma das inúmeras belas canções de seu primoroso repertório. É de aplaudir de pé!

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Dicionário Ilustrado de Ritmos e Instrumentos de Percussão

Esta postagem traz a definição para o verbete "cuica" descrito no Dicionário Ilustrado de Ritmos e Instrumentos de Percussão, de autoria de Reppolho, um grande músico brasileiro natural da cidade de Recife - PE. Segue o texto e suas valiosas informações:


CUICA - Membranofone reinventado no Brasil pelos escravos vindos de Angola e do Congo. Chamada de “mpwita” (em Angola), na língua Kimbundo é conhecida pelo nome kpuita. Conhecida também por Tambos-Onça ou Tambor-Onça, Omelê, Socador, Roncador, Porca, ou Onça e Ronca. Tem formato de um pequeno tambor com pele fixada a uma haste de madeira interna friccionada com um pano molhado reproduzindo um som parecido com um ruído de um porco. Anteriormente essa haste era externa. De acordo com o pesquisador Arthur de Oliveira, a cuica foi introduzida nas Escolas de Samba no Rio de Janeiro pelo músico João da Mina, do Morro de São Carlos. Segundo o percussionista paulista Osvaldinho da Cuica (Osvaldo Barro, 1940) o instrumento foi introduzido no samba na década de 1920. Com o passar do tempo tornou-se um instrumento de improvisação e melodia, passando a fazer parte do arsenal percussivo brasileiro, sendo incorporada às escolas de samba. Encontrada em diferentes gêneros musicais, como o jazz contemporâneo, o pop, o funk, entre outros estilos. Segundo Arthur de Oliveira “até meados da década de 1930, os sambistas traziam-na presa sob o braço esquerdo, com a membrana para trás. Com a mão direita atritavam a haste. A partir dessa época, começaram a pendurar a cuica ao pescoço com um cordão, enquanto a mão esquerda, colocada no centro da membrana pelo lado de fora, variava a tensão do couro produzindo variação na frequência do som gerado”. De acordo com Euclides Amaral “nas Ilhas de Madeira, São Tomé e Príncipe o termo “puíta” serve também para designar um tipo de dança de umbigada (Dança de Puíta), dançada em pares por homens e mulheres. Mas a cuica em si é uma espécie de aprimoramento da “puíta”, também conhecido “Angona”, instrumento usado nos antigos terreiros de macumba do Morro de Santo Antônio, demolido para a obra da Avenida Chile, no Centro do Rio de Janeiro. A cuica foi introduzida na percussão das Escolas de Samba por João Mina, músico do Morro do São Carlos, portanto, possivelmente pertencente ao grupo de Ismael Silva”.  
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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Música 12 - Tentação

Essa música faz parte do repertório de Tudo Azul, último disco gravado pela Velha Guarda da Portela antes do falecimento de seu autor, o Sr. Casemiro. Fica difícil saber o que é mais bonito nessa canção. Se é a música em si, de poesia simples e melodia triste. Se é a interpretação sincera de quem canta sem "profissionalismos". Ou se é a cuica, também num contracanto simples, triste e cheio de autenticidade. Uma obra prima essa gravação!

Casemiro Vieira

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Tentação
(Casemiro)

Não, não deixe que a tentação
Venha modificar nosso viver
Alimenta uma ilusão
E só você sabe porque
A tristeza que me invade
Só ele, Deus, é que sabe
O que eu sinto por você

Procuro encontrar uma solução
Mas não posso governar o coração
Que sofre por te amar em vão
Que sofre por te amar em vão

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Vídeo 12 - Mr. Quica (ミスター・クィーカ)

Na última postagem pudemos constatar que a cuica tem sido reverenciada de norte a sul do Brasil, assim como em outros países. Mas nosso aclamado instrumento musical se faz presente em muitos outros "territórios" do mundo, não apenas no sentido geográfico, mas também musical e expressivo em geral. E este vídeo demonstra exatamente isso. Com vocês: Mr. Quica!



P.s.: interessante essa variação na forma de escrita da palavra "cuica" com a letra Q no lugar do C. Até que funciona em termos fonéticos, mas acaba coincidindo com a conjugação do verbo "quicar" na terceira pessoa do singular (em português). 
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sábado, 7 de setembro de 2013

Do Oiapoque ao Chuí

Não haveria expressão melhor para dar título a essa postagem do que "do Oiapoque ao Chuí". Afinal, diversas atividades em prol da cuica estão sendo realizadas de norte a sul do Brasil. E isso sem falar no exterior, como o maravilhoso exemplo da Confederação de Cuiqueiros do Japão

Mas, em termos de Brasil, além dos tradicionais encontros de cuiqueiros no Rio de Janeiro, como o Cuicarioca, outros dois casos exemplificam muito bem o quanto a cuica é um instrumento difundido em nosso país. Essa imagem abaixo é da camiseta do Clube da Cuica do Ceará, coordenado pelo amigo Júnior da Cuica, lançada ontem durante um coquetel em Fortaleza. 


Já este vídeo, traz o registro do 1º Cuicapel, um encontro de cuiqueiros realizado em 2012 na cidade de Pelotas, localizada no estado do Rio Grande do Sul. Uma festa muito bonita com destaque para a homenagem ao mestre Pery, este senhor que aparece nessa imagem congelada, empunhando esta bela cuica de três campanas, sua companheira a mais 68 anos. 



Parabéns ao pessoal do Ceará, aos amigos de Pelotas, bem como de todo o Brasil e do mundo que se dedicam a glorificar a cuica de alguma maneira, assim como este humilde espaço virtual também procura fazer. Viva a cuica e os vários sotaques do povo brasileiro!
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sábado, 31 de agosto de 2013

3º Cuicarioca


O dia 7 de setembro não é mais apenas o 250º dia do ano, ou 251º em anos bissextos, de acordo com o modo gregoriano de contar os dias. Também não é mais o dia que dali a outros 115 se completa um ano. Tampouco um feriado nacional em razão da independência proclamada em 1822. 

Agora o dia 7 de setembro já é uma data tradicional do calendário cuiquístico, pois é o dia em que será realizado mais uma vez o Cuicarioca, evento que chega à sua terceira edição e propõe a confraternização dos cuiqueiros do Rio de Janeiro. Mas nada impede a presença de pessoas vindas também de outras localidades. Nesta festa todos são muito bem vindos, independente de sotaque, língua, bandeira ou estandarte. O que importa é a cuica.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Cuiqueiros 5 - Neném da Cuica

O percussionista e pesquisador Luciano Cuica Play publicou recentemente em seu blog uma postagem sobre o músico Neném Guimarães, o que me inspirou a também escrever sobre este nome.

Neném da Cuíca

Figura presente entre os percussionistas mais requisitados para gravações em discos nas décadas de 60 e 70, Neném ficou conhecido como Neném da Cuica, naturalmente, devido à sua notória habilidade na execução da nossa querida "chorona". 

Nesse pequeno trecho da entrevista concedida ao Blog do Cuica Play, Neném evidencia sua relevância no cenário musical brasileiro citando alguns dos nomes que fazem parte de sua trajetória artística:

LUCIANO - Como e quando começou seu interesse pela música? É de família de músicos? Já começou na percussão?

NENÉM - Família de músicos. Meu pai tocava cavaquinho, meu irmão toca bateria (...). Por incrível que pareça, comecei com Ataulfo Alves. Depois Monsueto Menezes, Herivelto Martins, depois Jorge Ben Jor. (...) Naquela época eu tocava pandeiro, foi quando numa viagem ao exterior com Haroldo Costa, ele me pediu pra tocar cuica, nunca tinha tocado, aprendi comigo mesmo, peguei uma lata e ficava dentro do hotel, tocando sozinho. (...) ai foi assim de repente, mas eu já tinha influência por causa das escolas de samba, que eu saia no Salgueiro. 

Quanto à relação de Neném com a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, basta dizer que ele está entre os principais ritmistas da história dessa agremiação, destacando-se na avenida com sua cuica durante muitos anos.

Mas, além dos desfiles, gravações em estúdio e shows acompanhando grandes nomes da música brasileira, Neném também teve seu próprio trabalho artístico, tendo sido um dos distintos integrantes do grupo Brasil Ritmo.

Brasil Ritmo - Balança Povo (Som Livre - 1972) - capa e contracapa

Essa música abaixo está presente no disco Brasil Ritmo - Balança Povo, lançado em 1972, e nos prova que o Neném merece uma vaga cativa na galeria dos seletos cuiqueiros da história.



Uma coisa interessante é que, além do Neném, o grupo Brasil Ritmo também contava com outro grande cuiqueiro em sua formação, o Índio da Cuica, mas que neste trabalho tocava reco-reco. Aqui vemos o Índio e o Neném juntos na foto da contracapa do disco.

Índio e Neném da Cuica

Atualmente, o Neném continua a nos dar o prazer de vê-lo tocar, acompanhando ninguém mais, ninguém menos do que Jorge Ben Jor, na Banda do Zé Pretinho. Aqui nesse vídeo ele demonstra que a química musical entre ele e o Jorge Ben é realmente muito grande, como bem disse o Luciano Cuica Play na entrevista com o mestre. Mas arrisco a dizer que essa intimidade entre eles só não é maior do que a química que rola entre o Neném e a sua cuica. Então, viva o Neném da Cuica e viva a cuica do Neném!

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Cuica era a grande atração no começo das escolas de samba

Matéria publicada na versão online do jornal Extra, em 13 de janeiro de 2012, assinada pelos jornalistas Leonardo Bruno e Gustavo Melo. Além de conter algumas informações curiosas a respeito da cuica pelos idos anos da década de 30, a matéria também faz menção a alguns grandes cuiqueiros do passado, como o Bené da Cuica, registrado na bela fotografia em preto e branco mais abaixo.

Cuica é igual mulher honesta, só o dono que toca - Maurício da Cuica
Normalmente, os instrumentos mais associados às escolas de samba são o pandeiro e o tamborim. O surdo também tem muito destaque, e as caixas e repiques fazem a batida característica dos nossos carnavais. Mas, no começo da história das escolas de samba, a grande vedete era a cuica! Nos jornais da década de 30, ela era sempre citada como o “som diferente” que vinha dos sambistas - na época, ela era chamada de “puíta”!

Quando os instrumentos das baterias começaram a ser vendidos nas lojas especializadas, a cuica enchia os olhos do público. Em 1934, na Casa David, ela era o item mais procurado, superando pandeiro, tamborim e reco-reco, que vinham em seguida. A embaixada francesa chegou a encomendar na loja dez cuicas para enviar para a França. E a 20th Century Fox queria mandar um exemplar para os Estados Unidos, no mesmo ano!

Na história do samba, tivemos grandes cuiqueiros, quase todos com o “nome artístico” associado ao instrumento, como Zeca da Cuica (fundador dos Originais do Samba, que não deixou de tocar mesmo depois de perder a visão) , Carlinhos da Cuica (um dos fundadores da Tradição), Bené da Cuica (que desfilou 248 vezes tocando em apenas dois carnavais, 1985 e 1986) e Casemiro (da Velha Guarda da Portela). Viva nossos cuiqueiros!

Carlinhos da Cuica, um dos grandes nomes do instrumento

Bené da cuíca largou o carnaval em 1987 e virou evangélico
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sábado, 6 de julho de 2013

Batuque é um privilégio [Oscar Bolão]

Peço licença ao amigo Zé Carlos da Cuica para reproduzir, como introdução a esta nova postagem, parte de um antigo comentário seu que traz observações bastante pertinentes ao tema que veremos agora: metodologia de estudo da cuica

Segundo ele, a cuica "é o instrumento de percussão (fricção na verdade) mais complicado de ser tocado! Não existe uma fórmula, quem quiser aprender tem que "ralar" muito! Todos os outros instrumentos tem uma didática clara e bem lógica. A cuica não. (...) você só adquire a habilidade necessária com a prática e entrega. Não existe nenhum cuiqueiro que toque igual ao colega. Temos base, inspirações (nos grandes músicos), mas cada um tem que trilhar o seu caminho sozinho".

Concordo com você, Zé Carlos. De fato, parece que ainda não temos um método de ensino que organize de maneira objetiva e aprofundada a variedade de questões referentes ao estudo da cuica em termos da execução do instrumento. Mas já existem alguns trabalhos que tratam desse assunto de maneira breve, e que já contribuem no sentido de formalizar, formatar, ou seja, transcrever o toque da cuica para a linguagem da teoria musical, servindo, assim, como uma alternativa sistematizada de estudo. Um excelente exemplo disso é o método Batuque é um Privilégio, da autoria de Oscar Bolão, certamente uma das maiores autoridades quando o assunto é percussão.


Através de fotos, textos e exercícios, Bolão mostra os fundamentos para execução de diversos instrumentos tradicionalmente utilizados no samba, como o pandeiro, o surdo, tamborim, agogô, reco-reco e, claro, a cuica, para a qual são propostos um total de quinze exercícios escritos em pauta de três linhas, representando as alturas grave, médio e agudo. Eles exigem certo grau de conhecimento sobre leitura musical, mas três deles foram gravados no CD que acompanha o livro e com o áudio fica mais fácil praticá-los. Cabe fazer aqui uma breve referência (e reverência) ao músico Fabiano Salek, cuiqueiro que realizou essas gravações. Bons estudos!




A cuíca é feita de um cilindro de metal ou madeira com uma pele de couro num dos lados. No centro desta é presa uma vareta fina de bambu, que, friccionada com um pano úmido, produz seu som característico. Com o dedo médio da mão, fazemos pressão sobre a membrana, extraindo sons de alturas diferentes. Conforme a região do país, a cuíca recebe outros nomes, como puíta ou roncador.

As linhas superiores da pauta representam a pressão exercida sobre a pele – para este procedimento, usaremos a designação de MEMBRANA; a pausa determina que o dedo não pressiona o couro, o que gera um som grave; as notas escritas na segunda linha indicam que o dedo deve exercer uma leve pressão sobre a membrana, produzindo um som médio; e a linha superior indica uma pressão ainda maior, extraindo-se, assim, um som agudo. A linha inferior é destinada à mão que fricciona a vareta e que designaremos MÃO. Sob as notas nela escritas, encontraremos símbolos que representam a articulação dos movimentos. O movimento de dentro para fora é feito à partir do corpo do executante e o movimento contrário é feito em direção ao seu corpo. Não havendo indicação, repetem-se os movimentos anteriores.



  • Exercício 1 [CD - Faixa 13]



  • Exercício 6 [CD - 14]




  • Exercício 12 [CD - 15]


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sexta-feira, 14 de junho de 2013

CuícApp

Não resta dúvida de que cuica e tecnologia se combinam muito bem e o CuícApp é mais uma prova disso. Até onde sei, esse já é o segundo aplicativo desenvolvido relacionado à cuica. O primeiro, Cuica Lite, também foi comentado aqui no blog. Segue a matéria publicada hoje no site do BOL anunciando a criação deste novo "game cuiquístico". E mais abaixo, um vídeo com o pessoal da agência Fábrica - responsável pelo CuícApp - mostrando que, enquanto cuiqueiros, eles são ótimos em desenvolver aplicativos.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

"retumbante"

Essa notinha saiu hoje na coluna Gente Boa do jornal O Globo, no momento, dirigida pela jornalista interina Cleo Guimarães.
Que retumbem as cuicas!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Música 11 - Piedade

Na última postagem aqui do blog, sobre o Projeto de Lei que visa reconhecer oficialmente o dia 21 de abril como o "Dia da cuica" no município do Rio de Janeiro, temos a prova de um gesto cujo objetivo é valorizar publicamente a cuica e seus instrumentistas. De fato, um instrumento tão representativo da música brasileira, como é a cuica, merece todas as honrarias e não pode permanecer marginalizado. Mas infelizmente, até mesmo dentro de seu ambiente natural, as escolas de samba, há quem discrimine sua presença, como fazem alguns mestres de bateria, o que é uma pena. E para piorar ainda mais, raramente vemos em algum disco de samba mais recente uma música onde a cuica possa ser ouvida com nitidez, e em muitos casos, nem cuica tem. Parece que antigamente não era bem assim. A cuica era privilegiada nas mixagens dos discos e ganhava o primeiro plano no nível de audição. Podemos verificar isso neste belíssimo registro da música Piedade, interpretada em 1966 por nossa Rainha Quelé, Clementina de Jesus. Acredito que o cuiqueiro dessa gravação seja o Mestre Marçal, e em praticamente todas as músicas do disco temos uma verdadeira aula de cuica, sem piedade alguma.


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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Projeto de Lei nº197/2013

Eis que me deparo hoje com esta excelente notícia publicada na página do Projeto Cuica, dizendo que o "Dia da Cuica" está em vias de se tornar oficial na cidade do Rio de Janeiro. Parabéns aos envolvidos nesta iniciativa, mas, antes de tudo, obrigado por se dedicarem a dar à cuica, e aos seus instrumentistas, o reconhecimento que tanto merecem. A cuica é um instrumento tradicional das escolas de samba e, por assim dizer, um instrumento musical tipicamente carioca. Mas sua representatividade vai muito além do Rio de Janeiro, sendo, talvez, o instrumento musical que melhor expressa o sentido de "brasilidade" em toda a nossa rica música popular. A oficialização dessa data em nível municipal é motivo de muita comemoração, sem dúvida, mas a cuica merece ter o seu dia como uma data oficial em esfera nacional. Espero ansiosamente que o prefeito Eduardo Paes tenha a sensibilidade de aprovar este Projeto de Lei e que possamos confraternizar em muitos outros encontros no dia 21 de abril, cada vez mais orgulhosos da nossa querida chorona. E viva a cuica!!!

Segue a notícia a que me referi acima:

Atenção, cuiqueiros: foi aprovado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e publicado no DCM de 14/05/2013, o Projeto de Lei nº197/2013, de autoria da Vereadora Laura Carneiro, que cria o "Dia da Cuica", em atenção ao pedido de João da Cuica , criador e realizador dos Encontros de Cuiqueiros (RJ), que este ano teve a sua 9ª Edição. Este PL altera a Lei nº 5.146, de 07 de Janeiro de 2010, que trata de EVENTOS, DATAS COMEMORATIVAS E FERIADOS da Cidade do Rio de Janeiro e institui o Calendário Oficial de eventos e datas. Obs.: Para virar Lei, efetivamente, o PL, aguarda a aprovação do Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

PROJETO DE LEI Nº 197/2013 
EMENTA:
ALTERA A LEI N.º 5.146, DE 7 DE JANEIRO DE 2010, PARA INCLUIR O “DIA DA CUICA” NO CALENDÁRIO OFICIAL DE EVENTOS E DATAS COMEMORATIVAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO.
Autor(es): VEREADORA LAURA CARNEIRO


A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
D E C R E T A :
Art. 1º Fica alterada a Lei nº 5.146, de 7 de janeiro de 2010, para incluir no § 4º do art. 6º, a seguinte data comemorativa:
"O dia vinte e um de abril de cada ano como o Dia da Cuica."
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


Plenário Teotônio Villela, 25 de abril de 2013.

LAURA CARNEIRO 
Vereadora

JUSTIFICATIVA
O dia 21 de abril de 2005 marcou a realização do 1º Encontro de Cuiqueiros - RJ, na quadra da G.R.E.S. União de Jacarepaguá, reunindo ritmistas de várias escolas, amantes da cuica, num ambiente de harmonia, confraternização e alegria, sem fins lucrativos e com entrada franca, por iniciativa de João da Cuica da GRES Portela, aliado a um seleto grupo de amigos igualmente cuiqueiros tais como: Hildebrando (Portela), Hélio Naval (Império Serrano), João Grande, Xanduca e Carlinhos (Mangueira), Reginaldo (Império Serrano), Hélio e Niquinho (Imperatriz Leopoldinense), Luiz (Caprichosos de Pilares), Sena (Arranco) etc. A escolha da data foi feita por aclamação, seja pela importância de Tiradentes para os ideais libertários em nosso país, seja pela facilidade proporcionada pelo feriado para o deslocamento dos músicos de vários pontos do país, seja pelos enredos que inspirou, a exemplo do antológico samba enredo “Exaltação a Tiradentes”, da GRES Império Serrano, em 1949, de autoria de Mano Décio, Estanislau Silva e Penteado.

Desde então, é o maior encontro de cuiqueiros do mundo, reunindo ritmistas deste instrumento tão peculiar, vindos de outros Estados para esta confraternização entre mestres do instrumento que eternizou ritmistas como Boca de Ouro, Mestre Marçal, Ministrinho, Ovídio Brito, e Carlinhos da Cuica. Esta iniciativa repercutiu internacionalmente, tanto que no dia 8 de agosto de 2008 foi criada “Confederação de Cuiqueiros do Japão”, pela iniciativa da cuiqueira Kazumi Shimizu. Além disso, tem sido compartilhados vídeos e fotos de cuiqueiros na Alemanha, Suiça, Portugal, Espanha, Bélgica, Cuba, Argentina, Uruguai e Chile. O que demonstra a pujança e a importância deste instrumento.

Nas comemorações do “Dia Nacional do Samba” do ano passado, o “Trem do Samba” partiu como é de costume no dia 2 de dezembro, saiu da Central rumo à estação de Osvaldo Cruz repleta de sambistas, porém com um toque diferente: trazia um vagão exclusivo de cuiqueiros naquela sua 17ª edição. O Nono Encontro de Cuiqueiros – RJ foi realizado no dia 21 de abril de 2013, reunindo ritmistas de todo país com enorme sucesso, consagrando definitivamente o dia 21 de abril como o Dia da Cuica em nossa cidade, contribuindo dessa maneira para a valorização desse instrumento, estimulando a formação de novos cuiqueiros e impedindo com isso o fim dessa formidável tradição por falta de incentivos.

Pelas razões expostas, peço o apoio dos meus pares para a aprovação dessa matéria.
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