Sejam bem-vindos!


Olá amigos!

Esse blog é uma ideia antiga de construir um espaço onde os amantes da cuica possam compartilhar informações sobre este instrumento. A ideia é debater sobre temas de contexto histórico, técnico e musical, sempre relacionados à cuica, é claro, mas também aos seus instrumentistas, os cuiqueiros. E o título do blog é justamente esse para "marcar" bem esta palavra, já que ela não consta em nenhum dicionário da língua portuguesa, a não ser no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, que menciona apenas alguns cuiqueiros famosos, mas não o significado dessa palavra de uma maneira geral. Espero que gostem das postagens e por favor participem com comentários, sugestões, enfim, fiquem à vontade! A casa é nossa. Sejam bem-vindos!

To best view this blog use the Google Chrome browser.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Couro de Gato

Seguindo no mesmo texto reproduzido na postagem anterior, Estudo da Cuica, de J. Muniz Jr., desta vez o trecho em recorte é sobre o lendário couro de gato. 

Vale como nota curiosa transcrever uma descrição de Orestes Barbosa sobre a cuica: “Mas veio o samba. E com o samba veio a cuica. E para a cuica o malandro descobriu que o couro mais forte e mais harmonioso é o do gato. Assim, são trágicas as caçadas noturnas, nos arrebaldes e nos subúrbios da Capital. O malandro anda pelos telhados e coradores ladeando laços de arame no enforcamento do simpático animal. Laçado o gato, fazem-lhe dois cortes nas patas dianteiras. Sopram-lhes os cortes com canudos de mamoeiro. E o gato, morto e cheio de vento, fica como uma bola. Então é só dar um talho reto da guela ao fim do ventre, e o couro sai todo. Dentro de oito dias é uma cuica vibrando surda no samba de tão singular emoção. Aquele couro facilmente retirado e posto ao sol, com a cinza do fogão que foi leito amável do animal encantador, continua a nostalgia de bicho trucidado que vem formar na melodia dos que se divertem, líricos como ele, e talvez nostálgicos também, tirando sons da barrica musical, sem pensar na matéria prima emocional, que era aquele companheiro contemplativo, e também cantor nas horas mortas, quando o amor e o luar dos abat-jours fazem as suas conspirações...”. Informa David Nasser* numa reportagem intitulada Vida, Paixão e Morte no Samba, que “a lamurienta cuica é onde todos os gatos do mundo choram as suas dores.”
(*) David NasserA Cigarra-Magazine, (fevereiro de 1944).

Particularmente, fiquei bastante impressionado com essa descrição do Orestes Barbosa na parte em que ele fala sobre os cortes nas patas etc, etc... ainda bem que hoje em dia não precisamos mais fazer isso! E pra aliviar um pouco esse clima tenso, segue abaixo um curta-metragem filmado em 1960/61, com direção de Joaquim Pedro, de conteúdo mais romântico sobre o cruel destino que os felinos tinham antigamente. O título do filme não poderia ser outro: Couro de Gato.


.

4 comentários:

  1. caraca meu tio falecido usava esse metodo ae, minha mãe me contou e eu ñ tinha acreditado!!! belo Blog!!!

    ResponderExcluir
  2. mto maneiro mesmo o video, as crianças deviam ganhar dinheiro com isso tb hehehehe

    ResponderExcluir