Intro

Bem vindo ao blog Cuiqueiros, um espaço exclusivamente dedicado à cuica – instrumento musical pertencente à família dos tambores de fricção – e aos seus instrumentistas, os cuiqueiros. Sua criação e manutenção são fruto da curiosidade pessoal do músico e pesquisador Paulinho Bicolor a respeito do universo “cuiquístico” em seus mais variados aspectos. A proposta é debater sobre temas de contexto histórico, técnico e musical, e também sobre as peculiaridades deste instrumento tão característico da música brasileira e do samba, em especial. Basicamente através de textos, vídeos e músicas, pretende-se contribuir para que a cuica seja cada vez mais conhecida e admirada em todo o mundo, revelando sua graça, magia, beleza e mistério.

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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Música 17 - Conversa fiada [Banda Mel]

A exemplo dos posts "A cuica no rock and roll" e "A cuica no jazz", a postagem de hoje também aborda a presença da nossa querida "chorona" em contextos da música popular que ela não costuma ser utilizada com tanta frequência. Dessa vez, no contexto do axé-music.

A música Conversa fiada, da autoria de Marinho, integra o repertório do disco Negra, lançado em 1991 pela Continental, o quinto álbum de uma das bandas precursoras do samba-reggae, a Banda Mel. A intérprete é a cantora Márcia Short e o músico responsável pela gravação dessa cuica esperta, infelizmente, não tem o seu nome registrado no encarte do disco. A ficha técnica registra apenas os integrantes da Banda Mel e músicos convidados, executantes de instrumentos de sopro. Mas ficam aqui os registros da poesia dessa canção e dos sons da cuica suingando bonito no balanço do axé.


CONVERSA FIADA
(Marinho)

Vamos cantar, vamos cantar, vamos mostrar
Vamos cantar, vamos cantar, vamos mostrar
Vamos mostrar pra todos o nosso cantar
Pois a corda só quebra pro lado de cá

Não quero mais essa conversa fiada
Não quero mais ouvir essa piada
Que o Brasil é o país do futuro
Isso é balela pra trouxa, o povo anda duro

Hei galera, vamos nessa!
Nessa onda quero arrebentar
Não quero mais ouvir essa conversa
Papo de deixa disso, ou de deixa pra lá

Vamos cantar, vamos cantar, vamos mostrar
Vamos cantar, vamos cantar, vamos mostrar
Vamos mostrar pra todos o nosso cantar
Pois a corda só quebra pro lado de cá

Consciência anda faltando
Em más notícias ando mergulhando
Pois, hoje, chega! Eu quero gritar!
Que o povo que canta não me deixa calar
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quinta-feira, 30 de março de 2017

Da cupópia da cuica: a diáspora dos tambores centro-africanos de fricção e a formação das musicalidades do Atlântico Negro (Sécs. XIX e XX)

A postagem de hoje é bastante especial, pois destaca um trabalho extremamente significativo para a construção de conhecimento sobre a cuica, um instrumento que, embora desperte muita curiosidade, ainda guarda um passado pouco conhecido, além de uma série de outras questões que, creio eu, permanecem mal compreendidas.

Da cupópia da cuica: a diáspora dos tambores centro-africanos de fricção e a formação das musicalidades do Atlântico Negro (Sécs. XIX e XX) consiste na dissertação de mestrado de Rafael Galante, defendida em 2015 no Programa de Pós-graduação em História Social da Universidade de São Paulo - USP. Até onde sei, esse é o trabalho de maior fôlego já realizado sobre a cuica, claramente desenvolvido com base em densas pesquisas documentais e etnográficas, assim apresentado pelo seu autor:

O objetivo principal desta dissertação é o de recuperar a dimensão atlântica da história social das musicalidades afro-brasileiras criadas por africanos escravizados e seus descendentes durante o último século de escravismo e ao longo das primeiras décadas do período pós-abolição. O foco recai, sobretudo, no entendimento dos movimentos de transposição histórica dos tambores de fricção, de determinadas áreas do continente africano para as Américas, sua importância na formação das comunidades e culturas musicais afro-brasileiras, especialmente naquelas relacionadas ao samba urbano carioca, bem como nas transformações que o processo de diáspora imprimiu na organologia e na performance realizada por meio destes tambores de fricção. Este estudo, como também o inventário realizado dos instrumentos musicais que compunham as paisagens musicais do Brasil e de determinadas sociedades da África Central, sustenta-se sobre fontes históricas variadas, desde representações iconográficas contidas em crônicas, relatos de viagem e etnografias de viajantes e estudiosos que percorreram as diversas sociedades do período, análise de exemplares de instrumentos africanos pertencentes a coleções museológicas, até a escuta e análise de diversos fonogramas disponibilizados por meios eletrônicos.

Em outras palavras, essa pesquisa contribui não só para o aprofundamento do que se conhece sobre a cuíca, mas também sobre a família instrumental dos tambores de fricção de um modo geral, dando passos fundamentais na ampliação do conhecimento sobre a presença destes instrumentos em diferentes regiões do Brasil, bem como sobre a relação desse patrimônio cultural brasileiro com a extensão atlântica da África central. Enfim, o trabalho como um todo é da maior importância e a forma como foi escrito torna a leitura bastante prazerosa. Para quem se interessar, o download gratuito encontra-se disponível AQUI.

Aproveito a oportunidade para parabenizar o Rafael pela sua iniciativa e dedicação e agradecer o verdadeiro presente que ele nos dá, possibilitando que a gente conheça mais sobre a nossa querida chorona.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Amado Jorge, a história de uma raça brasileira [Osvaldinho da Cuica, Namur e Macalé do Cavaco]

Essa postagem traz o registro de um samba do nosso ícone Osvaldinho da Cuica interpretado pelo cantor e compositor Leandro Lehart em seu DVD Ensaio de Escola de Samba, onde celebra alguns dos sambas históricos do carnaval paulista. Em vídeo, ele conta que foram inicialmente selecionados cento e cinquenta sambas, da década de 1960 aos anos 2000, dos quais quatorze entraram no repertório final. O trabalho contou com ritmistas de diversas escolas de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro, sendo que os dois cuiqueiros, Edmir e Magrão, representam o excelente naipe de cuicas da Império de Casa Verde. O mais bacana desse registro é que eles fazem uma bela homenagem ao Osvaldinho tocando as cuicas a capella no final da gravação.



Amado Jorge, a história de uma raça brasileira, que Osvaldinho compôs em parceiria com Namur e Macalé do Cavaco, garantiu à Vai-Vai o seu sexto campeonato, no carnaval de 1988. 
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Vídeo-aula de cuica

Faz tempo que me pedem para postar vídeos com dicas de como tocar cuica, como afinar, com sugestões de exercícios, enfim, com orientações gerais sobre a execução do instrumento. A melhor forma que encontrei para atender essa demanda foi criar uma playlist de vídeos cuja temática seja o ensino do instrumento. Este assunto, aliás, já foi abordado em outras postagens onde apresentei métodos de ensino musical com exercícios para a cuica, por exemplo, nos posts Batuque é um privilégio, sobre o método de Oscar Bolão, Percusión Brasileña, método de Fernando Marcon, e também o post Na bateria da escola de samba, sobre o livro de Leandro Braga.

Com relação a essa playlist, selecionei os vídeos com base na ordem em que apareciam nos resultados de busca, mas tentei manter uma sequência em relação à autoria. Até agora são 34, mas vou acrescentar novos vídeos à medida em que os encontrar. A maioria é em português, mas também há registros em inglês e em espanhol. Alguns apresentam boa qualidade de produção, com a imagem e o áudio bem nítidos, enquanto outros são tecnicamente inferiores, mas não menos importantes. Deve dar bastante trabalho fazer um vídeo desses, mesmo aqueles mais "caseiros", então aproveito a oportunidade para agradecer a generosidade dos nossos colegas e parabenizá-los pela iniciativa em compartilhar seus conhecimentos. 


Essa playlist mistura aulas voltadas para quem está começando no instrumento e também para quem já está em um nível de aprendizado mais avançado. Aliás, como diriam os antigos, a cuica é um instrumento um tanto quanto "melindroso", então nunca devemos pensar que já sabemos o bastante sobre ela. Até porque, uma característica essencial que envolve tudo relacionado a tocar este instrumento é o fato de cada cuiqueiro ter as suas preferências e maneiras pessoais de fazer isso ou aquilo. Observar essas diferenças é sempre enriquecedor e esses vídeos são a prova concreta da variedade desses pontos de vista e, consequentemente, da complexidade envolvida na transmissão desses conhecimentos. A propósito, essa playlist também pode servir para quem é professor de cuica se inspirar em algumas ideias e trabalhar com seus alunos. Desejo a todos uma excelente aula!
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