Intro

Bem vindo ao blog Cuiqueiros, um espaço exclusivamente dedicado à cuica – instrumento musical pertencente à família dos tambores de fricção – e aos seus instrumentistas, os cuiqueiros. Sua criação e manutenção são fruto da curiosidade pessoal do músico e pesquisador Paulinho Bicolor a respeito do universo “cuiquístico” em seus mais variados aspectos. A proposta é debater sobre temas de contexto histórico, técnico e musical, e também sobre as peculiaridades deste instrumento tão característico da música brasileira e do samba, em especial. Basicamente através de textos, vídeos e músicas, pretende-se contribuir para que a cuica seja cada vez mais conhecida e admirada em todo o mundo, revelando sua graça, magia, beleza e mistério.

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quarta-feira, 7 de junho de 2017

A cuica do Laurindo [nova temporada]


O premiado musical "A cuica do Laurindo" entrará novamente em cartaz no Rio de Janeiro, no teatro Carlos Gomes, de 16 de junho à 30 de julho (quinta a sábado às 19h / domingo às 17h). Ingressos antecipados AQUI, por módicos R$40 inteira e R$20 meia.

A trama da peça gira em torno do cuiqueiro Laurindo, um personagem fictício criado por Noel Rosa, mas certamente inspirado nas figuras do samba com quem o compositor conviveu. Trata-se de uma comédia musical primorosamente idealizada por Rodrigo Alzuguir e dirigida por Sidnei Cruz. São cerca de quarenta canções contado as peripécias que envolvem os diversos personagens, brilhantemente interpretados por Alexandre Rosa Moreno (Laurindo), Claudia Ventura (Conceição do Zé), Hugo Germano (Tião / Cabaretier / Jota Efegê / Laurindo Filho), Marcos Sacramento (Dodô / Mais Velho / Maestro Strondowski), Nina Wirtti (Guiomar Wendhausen / Cabaretiere) e Vilma Melo (Zizica Tupynambá), além do próprio Rodrigo Alzuguir (Zé da Conceição / Hercule Perrier).

Como muitos seguidores desse humilde espaço cuiquístico não vivem no Rio de Janeiro e dificilmente poderão assistir a peça, compartilho abaixo os registros de algumas cenas, a começar pela interpretação de Triste Cuica, composição em que Laurindo ganhou vida, e também a morte, pois foi nessa música que Noel Rosa criou o personagem, em 1935, embora revelando no fim da canção que Laurindo teria sido misteriosamente assassinado. Vale destacar a bela performance do músico Marcus Thadeu executando a cuíca, acompanhado por Magno Júlio (percussão), Yuri Villar (sopros), Rafael Mallmith (violão 7 cordas) e Luis Barcelos (bandolim e direção musical), que tocam lindamente durante toda a peça. 


Esse segundo registro traz um trecho da música "Como se faz uma cuica", da autoria de Haroldo Lobo e Wilson Baptista, que descreve poeticamente em seus versos as características de uma cuica na década de 1940 (um pedaço de pau / um pedaço de couro / numa barrica / é assim que se faz uma cuica...).


O próximo vídeo traz uma lindíssima interpretação de "Ave Maria do morro", composição de Herivelto Martins, de 1942, que, de modo comovente, narra a devoção dos moradores de uma favela, rezando juntos ao fim do dia por uma vida menos sofrida.


E esse último vídeo registra um dos pontos altos da peça, quando todo o elenco interpreta "Praça Onze", também de Herivelto Martins, em parceria com Grande Otelo, que narra a angústia dos sambistas ao tomarem parte da notícia de que um dos principais redutos do samba no Rio de Janeiro, a Praça 11 de Junho, seria destruída para a abertura de uma nova avenida na cidade.

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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Música 17 - Conversa fiada [Banda Mel]

A exemplo dos posts "A cuica no rock and roll" e "A cuica no jazz", a postagem de hoje também aborda a presença da nossa querida "chorona" em contextos da música popular que ela não costuma ser utilizada com tanta frequência. Dessa vez, no contexto do axé-music.

A música Conversa fiada, da autoria de Marinho, integra o repertório do disco Negra, lançado em 1991 pela Continental, o quinto álbum de uma das bandas precursoras do samba-reggae, a Banda Mel. A intérprete é a cantora Márcia Short e o músico responsável pela gravação dessa cuica esperta, infelizmente, não tem o seu nome registrado no encarte do disco. A ficha técnica registra apenas os integrantes da Banda Mel e músicos convidados, executantes de instrumentos de sopro. Mas ficam aqui os registros da poesia dessa canção e dos sons da cuica suingando bonito no balanço do axé.


CONVERSA FIADA
(Marinho)

Vamos cantar, vamos cantar, vamos mostrar
Vamos cantar, vamos cantar, vamos mostrar
Vamos mostrar pra todos o nosso cantar
Pois a corda só quebra pro lado de cá

Não quero mais essa conversa fiada
Não quero mais ouvir essa piada
Que o Brasil é o país do futuro
Isso é balela pra trouxa, o povo anda duro

Hei galera, vamos nessa!
Nessa onda quero arrebentar
Não quero mais ouvir essa conversa
Papo de deixa disso, ou de deixa pra lá

Vamos cantar, vamos cantar, vamos mostrar
Vamos cantar, vamos cantar, vamos mostrar
Vamos mostrar pra todos o nosso cantar
Pois a corda só quebra pro lado de cá

Consciência anda faltando
Em más notícias ando mergulhando
Pois, hoje, chega! Eu quero gritar!
Que o povo que canta não me deixa calar
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quinta-feira, 30 de março de 2017

Da cupópia da cuíca: a diáspora dos tambores centro-africanos de fricção e a formação das musicalidades do Atlântico Negro (Sécs. XIX e XX)

A postagem de hoje é bastante especial, pois destaca um trabalho extremamente significativo para a construção de conhecimento sobre a cuíca, um instrumento que embora desperte muita curiosidade, ainda guarda um passado pouco conhecido e uma série de questões mal compreendidas.

Da cupópia da cuíca: a diáspora dos tambores centro-africanos de fricção e a formação das musicalidades do Atlântico Negro (Sécs. XIX e XX) consiste na dissertação de mestrado de Rafael Galante, defendida em 2015 no Programa de Pós-graduação em História Social da Universidade de São Paulo - USP. Até onde se sabe, este é o trabalho de maior fôlego já realizado sobre a cuíca, claramente desenvolvido com base em densas pesquisas documentais e etnográficas, assim apresentado pelo autor:

"O objetivo principal desta dissertação é o de recuperar a dimensão atlântica da história social das musicalidades afro-brasileiras criadas por africanos escravizados e seus descendentes durante o último século de escravismo e ao longo das primeiras décadas do período pós-abolição. O foco recai, sobretudo, no entendimento dos movimentos de transposição histórica dos tambores de fricção, de determinadas áreas do continente africano para as Américas, sua importância na formação das comunidades e culturas musicais afro-brasileiras, especialmente naquelas relacionadas ao samba urbano carioca, bem como nas transformações que o processo de diáspora imprimiu na organologia e na performance realizada por meio destes tambores de fricção. Este estudo, como também o inventário realizado dos instrumentos musicais que compunham as paisagens musicais do Brasil e de determinadas sociedades da África Central, sustenta-se sobre fontes históricas variadas, desde representações iconográficas contidas em crônicas, relatos de viagem e etnografias de viajantes e estudiosos que percorreram as diversas sociedades do período, análise de exemplares de instrumentos africanos pertencentes a coleções museológicas, até a escuta e análise de diversos fonogramas disponibilizados por meios eletrônicos".

Em outras palavras, essa pesquisa contribui não só para o aprofundamento do que se conhece sobre a cuíca, mas também sobre a família instrumental dos tambores de fricção de um modo geral, dando passos fundamentais na ampliação do conhecimento sobre a presença destes instrumentos em diferentes regiões do Brasil, bem como sobre a relação desse patrimônio cultural brasileiro com a extensão atlântica da África central. Ou seja, o trabalho como um todo é da maior importância e a forma como foi escrito torna a sua leitura bastante prazeirosa. Para quem se interessar, o download gratuito encontra-se disponível AQUI.

Ficam os nossos parabéns e agradecimentos ao Rafael Galante por esta brilhante iniciativa que nos permite conhecer mais profundamente a história da nossa amada "chorona".
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Amado Jorge, a história de uma raça brasileira [Osvaldinho da Cuíca, Namur e Macalé do Cavaco]

Essa postagem traz o registro de um samba do nosso ícone Osvaldinho da Cuíca interpretado pelo cantor e compositor Leandro Lehart no DVD Ensaio de Escola de Samba, que rememora alguns dos sambas históricos do carnaval paulista. Em vídeo, Lehart conta que foram inicialmente selecionados cento e cinquenta sambas, da década de 1960 aos anos 2000, dos quais quatorze entraram no repertório final. A gravação contou com ritmistas de diversas escolas de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro, incluindo os cuiqueiros Magrão e Edmir, que prestam uma bela homenagem ao Osvaldinho, no final da gravação, tocando as cuícas à capella. Amado Jorge, a história de uma raça brasileira, homenagem ao grande escritor Jorge Amado, garantiu à Vai-Vai o seu sexto campeonato, em 1988.


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Vídeo-aulas de cuíca [playlist no YouTube]

Faz tempo que me pedem para postar vídeos com dicas de como tocar cuíca, como afinar, sugestões de exercícios, enfim, com orientações gerais sobre a execução do instrumento. A melhor forma que encontrei para atender essa demanda foi criar uma playlist de vídeos cuja temática seja o ensino do instrumento. Este assunto, aliás, já foi abordado em outras postagens onde apresentei métodos de ensino musical com exercícios para a cuíca, por exemplo, nos posts Batuque é um privilégio, sobre o método de Oscar Bolão, Percusión Brasileña, método de Fernando Marcon, e também o post Na bateria da escola de samba, sobre o livro de Leandro Braga.

Com relação a essa playlist, selecionei os vídeos com base na ordem em que apareciam nos resultados de busca, mas tentei manter uma sequência em relação à autoria. Até agora são 34, mas vou acrescentar novos vídeos à medida em que os encontrar. A maioria é em português, mas há também registros em inglês e em espanhol. Alguns apresentam boa qualidade de produção, com a imagem e o áudio bem nítidos, enquanto outros tem um aspecto mais "caseiro", mas não menos importantes. Deve dar bastante trabalho fazer um vídeo desses, mesmo aqueles menos profissionais, então aproveito a oportunidade para parabenizar nossos colegas pela iniciativa em compartilhar seus conhecimentos. 


Essa playlist mistura aulas voltadas para quem está começando no instrumento e também para quem já está em um nível de aprendizado mais avançado. Aliás, como diriam os antigos, a cuíca é um instrumento um tanto quanto "melindroso", então nunca devemos pensar que já sabemos o bastante sobre ela. Inclusive porque uma característica essencial deste instrumento é o fato de cada cuiqueiro ter as suas preferências e maneiras pessoais de fazer isso ou aquilo. Observar essas diferenças é sempre enriquecedor e esses vídeos são a prova concreta da variedade desses pontos de vista e, consequentemente, da complexidade envolvida na transmissão e aprendizado desses conhecimentos. A propósito, essa playlist também pode servir para quem dá aulas de cuíca se inspirar em ideias para trabalhar com seus alunos. Desejo a todos um excelente estudo!
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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Disco 2 - A incrível bateria do Mestre Marçal

A incrível bateria do Mestre Marçal é um disco lançado em 1987 pela gravadora Polydor. Conforme seu título anuncia, traz o registro de uma bateria constituída por excelentes ritmistas regidos pelo Mestre Marçal. A faixa de abertura, que ocupa todo o lado A do vinil, é integralmente instrumental e, durante os seus oito minutos iniciais, podemos escutar a cuica do próprio Mestre Marçal com aquele toque elegante que lhe característico. Depois disso, o andamento acelera e há o revezamento de interessantíssimos solos de alguns naipes da bateria, dentre eles o naipe de cuica, que se faz ouvir por volta dos doze minutos e meio da gravação. 



Além desse raro registro em áudio de uma ala de cuica tocando à cappella, a capa do álbum apresenta fotografias dos instrumentos que compõem a bateria, onde se vê a imagem dessas belas cuicas reproduzida abaixo. Apesar de estar sem foco, é possível identificar o Carlinhos da Cuica no fundo da fileira de cuiqueiros. Aliás, acredito que seja do Carlinhos o solo de cuica que se destaca no trecho do naipe de cuica mencionado acima.


E há também, na contracapa do álbum, textos explicativos sobre cada instrumento da bateria em português e em inglês. Consta a informação de que esses textos foram escritos por Regina Werneck, baseados em uma entrevista com Mestre Marçal. Sobre a cuica é dito o seguinte:

CUICA  Instrumento feito de uma barrica de madeira (antigamente; hoje, uma raridade) ou metal, com pele de couro em um dos lados e uma vareta de bambu por dentro, que sai do centro da pele e que é esfregada com uma pano úmido ou mesmo com a mão molhada, para produzir um som bastante exótico, que varia de timbre e complementa o colorido da bateria. Ela não tem uma função de marcação, mas se apresenta como solista, é um instrumento de grande criatividade. A cuica atrai a curiosidade de músicos e turistas estrangeiros por sua originalidade de som, único e divertido.

Acho bem possível que a parte inicial desse texto tenha de fato sido transmitida à referida autora pelo Mestre Marçal. Existem vários registros em que ele revela ter sido presenteado pelo pai com uma cuica de barrica aos sete anos de idade. Foi com essa mesma cuica, inclusive, que Marçal fez inúmeros trabalhos durante toda a vida, dentre eles a participação no primeiro disco do Cartola, em 1974.

Por outro lado, informações neste texto como, por exemplo, a afirmação de que a cuica pode ser tocada diretamente "com a mão molhada", parecem consistir em dados que a autora lamentavelmente repetiu de algum dos muitos textos que há por aí com informações equivocadas, como esta, frequentemente registrada no verbete "cuica" dos dicionários, mesmo aqueles publicados por editoras e autores de grande reputação. Registros históricos demonstram que o pano úmido sempre foi um elemento imprescindível para a execução da cuica, haja vista a composição Molha o Pano, de 1936, ano em que Mestre Marçal completava seis anos de idade. Ou seja, o pano (que ainda hoje utilizamos para tocar nosso instrumento) se mostra presente na realidade da cuica mesmo antes de Marçal ganhar a sua primeira chorona, e por isso duvido que seja dele a afirmação sobre a cuica ser tocada diretamente "com a mão molhada".

Independente de qualquer falha, o texto de Regina Werneck é certamente um esforço importante no sentido de tonar a cuica mais conhecida e traz ainda outras questões dignas de reflexão, por exemplo, ao dizer que a cuica "não tem uma função de marcação, mas se apresenta como solista". Como se sabe, o termo "marcação" é comumente utilizados por boa parte de nós para designar o toque de cuica que fazemos no acompanhamento do samba-enredo. Mas se pensarmos no papel de marcação exercido pelo surdo, atribuir esta função à cuica se torna algo questionável. Afinal, a cuica exerce um papel de marcação e sustentação do andamento rítmico ou seria um instrumento solista, ou de efeito, com a delicada função de complementar o "colorido da bateria"? Espero que vocês, estimados colegas e seguidores desse blog, se sintam estimulados e à vontade para escrever comentários em resposta a esta pergunta.

Por fim, A incrível bateria do Mestre Marçal pode ser apreciado na íntegra clicando AQUI. Além da faixa inicial reproduzida no player acima, Mestre Marçal demonstra no restante do disco outra de suas grandes habilidades, a de cantor, eternizando magistralmente alguns belíssimos sambas-enredo em sua voz.
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sábado, 26 de novembro de 2016

Livro: Na bateria da escola de samba


CAPA - Na bateria da escola de samba

Natal chegando, aqui vai a dica de um ótimo presente para uma criança ou adolescente que se interesse por samba. Publicado em 2014 pela editora Gryphos, "Na bateria da escola de samba" é um livro do pianista, compositor e arranjador Leandro Braga, contando com a colaboração de Mangueirinha como consultor técnico e lindas ilustrações de Axel Sande. Trata-se de uma obra com informações sucintas, mas muito instrutivas, por exemplo, sobre "como é formada a bateria, quais os instrumentos a compõem, quantos são os músicos, como é organizada, como são os ensaios. E ainda traz um CD que reproduz o som de todos os instrumentos". Com relação à cuica, o livro apresenta o texto reproduzido a seguir, bem como o áudio de duas gravações ilustrativas acessíveis no player logo abaixo:

A cuica é um instrumento muito peculiar. Seu corpo é de metal e tem uma pele de couro em um dos lados. Em seu centro é amarrada a ponta de uma vareta de bambu, formando uma espécie de umbigo. A mão direita fica dentro do instrumento, friccionando a vareta com um pano úmido. Os dedos da mão esquerda fazem uma pressão maior ou menor sobre o couro da cuica, pelo lado de fora. Quando apertam a pele, o som fica mais agudo. Quando soltam, o som fica mais grave. É um dos instrumentos preferidos pelos ritmistas de idade mais avançada, pois exige menos esforço físico mas, ainda assim, bastante habilidade. Normalmente uma bateria traz de 20 a 25 cuicas.


O site Estante Virtual disponibiliza alguns exemplares deste livro para compra. Apesar de se direcionar ao público infanto-juvenil, é uma leitura que cai bem para todas as idades. Vale a pena conferir!
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sábado, 1 de outubro de 2016

Vídeo 19 - Cuica Feat (Fabiano Salek)

Entre os diversos bons cuiqueiros espalhados mundo afora, se há um nome que não pode passar despercebido é este: Fabiano Salek. Nesse vídeo temos uma prova do seu talento, que na verdade vai bem além da cuica. Salek é integrante do grupo Sururu na Roda, onde não só toca como também canta, e desenvolve um belo trabalho de ensino musical na escola Maracatu Brasil à frente da Oficina Roda de Samba. Não à toa, foi ele quem gravou os exercícios de cuica registrados no método de percussão Batuque é um privilégio, de Oscar Bolão. Mas com a licença de seus múltiplos talentos, cabe enfatizar aqui a sutileza com que executa sua cuica, fazendo lembrar o estilo do grande mestre Ovídio Brito. Fica agora a oportunidade de apreciar e procurarmos apreender algo da técnica e criatividade desse músico completo e cuiqueiro da melhor qualidade!


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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Disco 1 - O baile do gato

O amigo Marcello Portelense compartilhou recentemente no Facebook uma interessante matéria intitulada "As vidas de um gato sambista" baseada na imagem desse gato tocando cuica, criada pelo cartunista Ziraldo, e impressa em um adesivo promocional do carnaval carioca de 1968. O autor da matéria, Alexandre Medeiros, conta que o felino já havia figurado como símbolo do carnaval de 1967 em outro desenho, onde aparece tocando tamborim, e descreve como surgiu esse gato folião: 



Nos anos 60, era a Secretaria de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro que ficava a frente dos preparativos para o carnaval, incluindo a decoração das ruas, a organização do desfile das agremiações carnavalescas, a criação e distribuição de material promocional e outras providências para o acontecimento da festa. Para 1967, a Secretaria resolveu escolher um gato como símbolo daquele carnaval. A justificativa dada pelo Secretário Carlos Laet pela escolha não poderia parecer mais inusitada: “É ele o maior sacrificado da folia, pois de sua pele fazem-se as cuicas e os tamborins que também marcam o ritmo contagiante das escolas de samba e dos denominados blocos que desfilam nas ruas cariocas no tríduo da folia”. Para dar vida a este infausto felino foi convidado o já famoso cartunista Ziraldo, que mesmo achando a justificativa oficial “um tanto trágica”, cria uma figura alegre, elegante e carnavalizada, registrando sutilmente no jogo de cores a nefasta sina do animal que toca um instrumento feito do seu próprio couro.

Achei muito bacana essa observação sobre as cores em tons avermelhados escolhidas pelo Ziraldo para representar "o maior sacrificado da folia", como disse o então Secretário de Turismo. Essa história de que a pele de gato costumava ser utilizada na cuica já foi abordada aqui na postagem Couro de gato, vale conferir! Mas a real motivação desse novo post é inaugurar uma série de publicações onde apresentarei discos que trazem alguma representação da cuica na capa ou algum registro fonográfico significativo do instrumento.

CAPA - O baile do gato
O gato cuiqueiro aparece na capa e contracapa desse disco intitulado O baile do gato, sobre o qual encontrei a seguinte descrição no blog Toque Musical: Patrocinado e promovido pela Secretaria de Turismo do antigo Estado da Guanabara, o álbum foi uma maneira de fixar ao cardápio festivo da cidade um novo baile de salão, realizado no Clube Sírio Libanês, que naquele ano (que eu não sei qual) se fazia pela segunda vez. (...) A gravação me parece ter sido feito ao vivo, talvez extraída do baile anterior.

CONTRACAPA - O baile do gato
O baile do gato pode ser apreciado clicando AQUI. Mas vou logo adiantando que apesar da capa apresentar o "bichano da cuica" desenhado pelo Ziraldo e seu título fazer menção direta ao animal, o que há de mais curioso nesse disco é o fato de não conter uma só faixa em que se possa escutar o som de uma cuica. De qualquer forma, a capa faz por onde!
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Música 16 - Lá vem cuica

Essa música traz uma incrível gravação de cuica, ou melhor, de várias cuicas, feita por um dos nossos maiores ícones, o mestre Osvaldinho da Cuica. De forma magistral, logo na introdução da música, Osvaldinho gravou vários tracks com a cuica em diferentes afinações, mas executando a mesma frase rítmica, gerando o efeito de abertura de vozes. Isso é muito comum nos naipes de instrumentos de sopro, mas com a cuica é algo extremamente difícil de executar. Só mesmo um cuiqueiro com a habilidade do Osvaldinho para conseguir essa façanha! E a cada refrão as cuicas reaparecem, ainda em diferentes afinações, mas variando o fraseado. Vale a pena escutar com um fone de ouvido para curtir o panorama gerado pela mixagem.


Já fazem pelo menos três anos que penso em postar essa música aqui no blog. Na época em que a conheci, liguei para o Osvaldinho e anotei algumas de suas falas durante a nossa conversa. Mas depois perdi o papel com as anotações e preferi não fazer a postagem sem os interessantes comentários do nosso mestre. Finalmente, o papel reapareceu e a postagem pôde enfim acontecer!

Uma das coisas que conversamos sobre a participação dele nesse trabalho foi um fato curioso que chamou minha atenção ao ler a ficha técnica do disco. A propósito, esse disco, Correio da estação do Brás, do Tom Zé, é absolutamente sensacional!!! Na ficha técnica consta a referência de que a cuíca foi gravada por Oswaldo José Sbarro, sendo que o nome de batismo do Osvaldinho é apenas Osvaldo Barro. Ele me explicou que esse outro Oswaldo é um violinista, já bem mais velho do que ele naquela época, dizendo também que essa semelhança dos nomes causava de fato muita confusão:


– Como ele era velhinho, ele se equivocava e assinava o recibo de cachê que era pra mim. Mas as vezes acontecia o contrário também. Eu tinha que ir lá em Pinheiros, na casa dele, acertar o cachê que pagavam errado pra gente.

Perguntei se ele se lembrava da ocasião em que fez essa gravação e de como conseguiu realizar esse maravilhoso registro:


– Eu não lembro... foi a época que eu mais gravei na minha carreira. Era dia e noite, quatro seções de gravação por dia. Mas era tudo de ouvido. Cuicas afinadas de acordo com a tonalidade, fazendo naipe. Uma cuica de oito vai ter um som penetrante, firme, mais vibrante. E as de nove e meio e dez polegadas têm mais variedade de notas.


Osvaldinho também comentou sobre o seu estilo, expondo sua concepção em relação às diferentes possibilidades de aplicação da cuica em um arranjo musical:


– Virou uma pandemia o uso da cuica com apenas duas notas! É tocar pra frente e pra traz, grave e agudo, e ponto final. Tem que explorar o som do instrumento! Já fui criticado por tocar a cuica parecendo um trombone, mas é que em toda gravação eu procuro adequar na música, eu toco para vestir a música, aplicando com economia.


E o mestre falou também sobre a época em que foi membro do grupo Demônios da Garôa, destacando a participação do grupo na 1ª Bienal do Samba, em 1968, quando defenderam a interessantíssima composição "Mulher, patrão e cachaça", de Adoniran Barbosa.


– O pessoal olhava meio torto pra cuica, instrumento que faz muito "barulho". Depois de 1968 eu consegui dar um destaque pra ela. O Demônios da Garoa estourou na televisão, e eu lá, na frente, com a cuica...
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domingo, 20 de março de 2016

A cuíca do Laurindo

Nessa próxima quinta-feira (24), o musical A cuíca do Laurindo entrará em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil - RJ. Trata-se de um espetáculo inspirado no cuiqueiro Laurindo, personagem fictício criado por Noel Rosa que protagoniza a trágica história do samba Triste Cuíca. Idealizada por Rodrigo Alzuguir, a peça se constrói sobre as façanhas de Laurindo retratadas também em canções de outros compositores, que adotaram o personagem de Noel e criaram uma serie de episódios hipoteticamente vividos pelo cuiqueiro na década de 1940. Na arte do cartaz, Alexandre Rosa Moreno, ator que fará o papel de Laurindo com o sorriso farto de um autêntico cuiqueiro. Imperdível!!!

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Oficina de cuíca com Ernani Cal [Monobloco]

Para quem reside no Rio de Janeiro, recomendo que não deixe de participar da próxima oficina de cuíca oferecida pelo mestre Ernani Cal, diretor do naipe de cuíca do Monobloco, onde há anos realiza um trabalho excepcional de ensino do nosso estimado instrumento musical. E para quem não reside na capital carioca, recomendo muito que fique atento às novidades nas redes sociais do Ernani e do Monobloco. Quem sabe não pinta uma oportunidade mais perto num futuro próximo? Seguem abaixo mais informações sobre a oficina na cidade maravilhosa. Sucesso, maestro!


Oficina de Cuíca
Prof. Ernani Cal (Monobloco)

Aula conjunta para iniciantes e avançados.

  • Técnica do instrumento
  • Linguagem rítmica
  • Desenvolvimento da musicalidade
  • Aplicação em repertório

Para iniciados que integram o naipe do Monobloco funciona como pré-temporada.

Para iniciados que não integram o naipe serve para ampliar horizontes conhecendo uma técnica específica e novas células rítmicas para aplicação em diversos ritmos da MPB.

Para não iniciados trabalhamos a aproximação ao instrumento e à linguagem da batucada.

Início: Dia 1° de março
Terças de março e abril
Das 20h às 22h

Rua Visconde de Pirajá
nº. 303 - salas 315/316
Ipanema

Informações e reservas:
(21) 2287-5136
Serginho ou Inês
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Pesquisa "CUICAS EM DESFILE"


O amigo Marcello Portelense está conduzindo uma interessante pesquisa denominada “CUÍCAS EM DESFILE”, sobre a qual o próprio Marcello nos informa o seguinte:

A pesquisa está relaciona ao uso da cuíca nas baterias de escolas de samba. Queremos levantar, além de dados básicos como o tipo de cuíca, marca e polegada preferida pelos cuiqueiros, informações sobre andamento, padronização e o posicionamento da cuíca na bateria. A pesquisa está longe de ser fechada e definitiva, mas é um primeiro passo para reunirmos dados que podem ser usados por futuros pesquisadores interessados. A pesquisa é 100% anônima. Nem o compilador dos dados saberá a identidade do pesquisado, já que essa informação é irrelevante para o resultado da pesquisa.

Portanto, amigos, não deixem de participar! Basta enviar uma mensagem inbox para o facebook do Marcello informando o seu endereço de e-mail e aguardar o recebimento do link de acesso ao formulário da pesquisa, reproduzido abaixo como ilustração. O tempo para preenchimento não toma mais do que alguns minutos.



A previsão de duração da pesquisa é até março deste ano, mas é muito importante que todos participem o mais breve possível e ajudem divulgando aos amigos que também possam se interessar. Os resultados serão divulgados aos participantes através do mesmo endereço de e-mail informado para o recebimento do formulário. Contamos com a participação de todos!
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domingo, 1 de novembro de 2015

1ª oficina de encouramento (Confraria Gambito de Ouro)



Peço licença aos amigos da Confraria Gambito de Ouro para divulgar essa excelente iniciativa que será a 1ª oficina de encouramento, prevista para o dia 14 de novembro, a partir das 10h, na rua Travessa do Sereno, nº 43 (próximo à Pedra do Sal), no Rio de Janeiro. Os interessados em encourar deverão realizar um depósito de R$60 (por pessoa) até o dia 06/11, o que também dá direito ao churrasco (bebida não incluída). Mas que quiser comparecer apenas para confraternizar, o depósito deverá ser de R$25 (com direito somento ao churrasco). Para maiores informações, vale acessar o blog da Confraria Gambito de Ouro, onde também é possível conhecer mais sobre essa agremiação de cuiqueiros, fundada em abril deste ano, e que vem para promover ações em prol da amizade, do conhecimento sobre a cuica, e de tudo mais que gira em torno do nosso querido instrumento musical.

O encouramento da cuica, também chamado de empachamento, é um processo bastante específico e que envolve procedimentos difíceis de realizar sem que se tenha a orientação inicial de alguém experiente no assunto. Uma pele bem encourada é um aspecto fundamental para que a cuica esteja em condições de emitir a sonoridade ideal que todos desejam extrair do instrumento. Portanto, é muito importante conhecer todo o processo que envolve encourar a cuica, e quem puder comparecer à oficina da cofraria, não perca essa oportunidade!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Entrevista com Wilson das Neves sobre Mestre Marçal [por Valéria del Cueto]

Nosso homenageado na última postagem, Wilson das Neves, foi entrevistado em janeiro de 2006 pela jornalista Valéria del Cueto e contou coisas muito interessantes sobre o seu grande amigo Mestre Marçal. Trata-se de um importantíssimo registro onde podemos conhecer um pouco mais sobre esse músico extraordinário que, sem dúvida nenhuma, é e sempre será um dos maiores cuiqueiros de todos os tempos. A entrevista aborda a atuação de Marçal como instrumentista, mestre de bateria e cantor, e também traz detalhes sobre o seu fascinante jeito de ser. Destaco a seguir o trecho sobre a forma como Marçal se relacionava com sua cuíca, tratada por ele como uma Stradivarius (em alusão à famosa marca de violinos):

"(...) ele era um gentleman. Só não podia contrariar ele. Se contrariasse ele... por exemplo: a cuíca dele. Nós íamos daqui para a Alemanha e a cuíca ia no colo dele. Ele não deixava ninguém pegar. Nem despachava. Tanto é que ele dizia assim: "isso aqui é o meu Stradivarius". A cuíca era o Stradivarius dele, o violino Stradivarius dele. Era uma cuíca daquelas antigas, das primeiras, que eram feitas de barrica. E muito bem cuidada, tudo cromado. Então era o Stradivarius, não deixava ninguém pegar. Depois ele aposentou essa, pra que ela ficasse num museu, e ele comprou as mais modernas. Mas ele gostava era dessa, a Stradivarius".

A imagem abaixo, escolhida para ilustrar o áudio da entrevista, apresenta Mestre Marçal regendo a bateria da Portela. Vemos também três cuiqueiros em segundo plano, dentre os quais pude identificar o saudoso Casemiro, com sua bela cuíca de 12 polegadas.


Agradeço a Valéria del Cueto por gentilmente autorizar a publicação deste material e, acima de tudo, por sua iniciativa em realizar essa entrevista. Um verdadeiro tesouro! 
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segunda-feira, 2 de março de 2015

Vídeo 18 - Wilson das Neves tocando cuíca

A postagem Villa Candeia nos apresentou há um tempo atrás imagens de duas grandes personalidades da música brasileira supostamente tocando cuíca: o maestro Villa Lobos e o grande portelense Candeia. Digo "supostamente" porque não se tem notícia de que eles de fato costumassem ou soubessem tirar um sonzinho da chorona. Dessa vez, outro grande nome da nossa música, Wilson das Neves, também nos deu a honra de arriscar algumas notas. Como se sabe, Das Neves é um exímio baterista, cantor e compositor, mas cuíca para ele parece ser uma novidade. Seja como for, como o próprio diria: Ôh, sorte!!!



Confira AQUI o show completo de Wilson das Neves para o Programa Instrumental Sesc Brasil, fonte original deste vídeo.
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sábado, 27 de dezembro de 2014

Percusión Brasileña [Fernando Marcon]

Essa postagem dá continuidade à série de publicações sobre metodologia de estudo da cuica, iniciada em julho de 2013 com o post Batuque é um Privilégio. Desta vez, apresento o método Percusión Brasileña, elaborado por Fernando Marcon, a quem agradeço a autorização de publicar o conteúdo referente à cuica. 

Além de informações e exercícios voltados ao nosso estimado instrumento musical, Marcon também aborda vários outros instrumentos significativos da percussão brasileira e apresenta um interessante "mapa musical do Brasil", descrevendo diversos gêneros de composição tradicionais de cada região do país. Natural de Piracicaba/SP, Marcon reside há muitos anos em Madri e publicou seu livro em espanhol, mas as informações sobre a cuica que ele apresenta estão aqui traduzidas para o português. Mais adiante estão os exercícios propostos para a prática do instrumento. Bons estudos! 

Cuica (ou Puitá)

“Os chamados 'tambores de fricção' são tradicionais na África: há o 'moshupiane', na África do Sul; o 'ingungu', na região Bantu; o 'dioulou-tama', na Guiné (...). Ainda que antigamente seu uso estivesse bastante difundido na Europa (Portugal, Espanha, França, Alemanha, Bélgica, etc.), hoje sua utilização é pequena nestes países.” fonte

Existem dois tipos de tambores de fricção, tomando como referência a posição da vareta em relação à pele (se esta é interna ou externa ao corpo do instrumento). Os tambores com a vareta externa são mais difundidos na Europa e os de vareta interna nos países africanos.

“A cuica (nome com que se conhece no Brasil) é um tambor de fricção com a vareta interna e seria procedente de Angola (onde se denomina puitá).” fonte

Originalmente era feita de madeira, mas atualmente é fabricada com diversos materiais como metal e acrílico. Possui uma pele de cabra presa em um dos lados e uma vareta de bambu fixada internamente no centro da pele. Existem verdadeiros mestres da cuica no Brasil, que sabem tocar melodias complexas com o instrumento. Sem dúvida, é um instrumento característico do samba, criando melodias improvisadas dentro do ritmo.

O som da cuica é produzido ao se friccionar uma das mãos na vareta com um pedaço de pano umedecido em água ou querosene (que dá mais aderência). Enquanto isso, a outra mão, com a ponta dos dedos médio e anular, aperta e solta a pele próximo de onde a vareta está amarrada, produzindo assim dois sons básicos: agudo e grave. 

Nota aguda: pressionar a pele
Nota grave: soltar a pele























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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Bloco das Cuicas - 3º ANO

Hoje, dia 2 de dezembro, comemora-se o Dia Nacional do Samba. Na verdade, visto que ainda estamos numa terça-feira, a comemoração será deixada para o próximo sábado. Mas como a cada ano, haverá inúmeros eventos para festejar essa data em reverência a este que é um dos nossos mais importantes bens culturais: o samba. E dentre todos esses eventos está o Trem do Samba, que neste ano realiza a sua 19ª edição. 

Em 2013, tivemos a imensa alegria de ver o Bloco das Cuicas fazer a sua segunda participação, e é maravilhoso ver que o bloco estará lá novamente, com o seu vagão repleto de cuiqueiros rumo ao bairro de Oswaldo Cruz. É a cuica recebendo também a sua parcela de reconhecimento pela importância que tem para o samba e, consequentemente, para a cultura brasileira.

Então, no próximo sábado, dia 6 de dezembro, a festa itinerante sairá da Central do Brasil com destino ao subúrbio carioca. O Bloco das Cuicas estará no primeiro vagão do trem que parte às 19h24min. Mas a concentração do bloco se inicia às 14h30min, no estacionamento ao lado da Escola Municipal Tia Ciata, onde será feita a distribuição das camisetas até as 15h30min. Quem puder, não deixe de ir. No ano passado, foi mais ou menos assim:

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domingo, 23 de novembro de 2014

A cuica na arte de Heitor dos Prazeres

Além de deixar seu nome na história como compositor de inúmeras canções, Heitor dos Prazeres também expressou nas telas a sua paixão pelo samba e toda a cultura afrobrasileira. Ainda não sei o título dessa imagem de sua autoria, mas bem poderia ser "O Cuiqueiro e a Passista". De qualquer forma, devemos ser gratos ao mestre Heitor por nos presentear com esse registro, um dos poucos onde a nossa querida cuica é retratada de forma tão bonita e singela.


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domingo, 9 de novembro de 2014

Vídeo 17 - Mart'nália - Filosofia

O motivo que me leva a publicar este vídeo não é a bela interpretação que a cantora Mart'nália faz da canção Filosofia, uma das inúmeras obras primas do compositor Noel Rosa. Na verdade, o propósito desta postagem é fazer reverência - mais uma vez - a memória de Ovídio Brito. No próximo dia 22 se completam quatros anos da sua ausência entre nós. Mas, para nossa sorte, podemos apreciar sua arte em registros como este e constatar porque devemos considerá-lo um dos maiores cuiqueiros de todos os tempos.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

1º Workshop da Cuica [resultados]

Para quem não pôde comparecer ao 1º Workshop da Cuica, seguem aqui alguns registros do evento e um pequeno resumo dos pontos de reflexão apresentados na mesa de debate.


Sob o comando do jornalista Luis Carlos Magalhães, que gentilmente se dispôs para a função de moderador da mesa de debates, discutimos algumas questões relacionadas à presença da cuica na bateria das escolas de samba. Essas questões foram expostas sob o ponto de vista dos mestres de bateria, representados pelos ilustres mestres Ciça e Paulinho Botelho, e também sob o ponto de vista dos cuiqueiros, representados por Ricardo Santana (responsável pelo naipe de cuica do Salgueiro) e por Nilton Carvalho (responsável pelo curso de cuica do projeto Tamborim Sensação). Com o objetivo de "confrontar", no bom sentido da palavra, a diversidade de ideias e opiniões, o debate girou em torno de três questões principais, sobre as quais se falou resumidamente o seguinte: 

1) Posicionamento da cuica na bateria - Este primeiro tema tratou do posicionamento da cuica quando feito na frente, no meio ou no fundo da bateria. Segundo os mestres, o que determina a posição do naipe de cuica é a qualidade dos instrumentistas. Se o naipe é formado por bons cuiqueiros, capazes de fazer com que as cuicas sirvam como referência ao mestre para a manutenção do andamento, as cuicas certamente estarão na primeira fileira da bateria. Mas se o naipe não possui uma boa consistência, podendo até mesmo atrapalhar o mestre na regência da bateria, as cuicas fatalmente serão posicionadas mais ao fundo.

2) Relação entre cuiqueiro e escola - Este tema buscou abordar alguns dilemas existentes na relação entre os cuiqueiros e as escolas de samba. Os cuiqueiros chamaram atenção para o fato de a cuica ser um instrumento particular, isto é, que cada cuiqueiro utiliza a sua própria cuica nos ensaios e desfiles, ao contrário dos demais instrumentos que pertencem e são de responsabilidade das escolas de samba. Isso faz com que os cuiqueiros sejam obrigados a bancar os custos de manutenção da cuica com seus próprios recursos, uma despesa alta que poderia ser amenizada caso, por exemplo, as escolas fornecessem o couro para os cuiqueiros utilizarem em suas cuicas. As escolas e os mestres de bateria, por sua vez, argumentam que o comportamento do cuiqueiro, de um modo geral, não se faz da maneira ideal. A principal reclamação é a ausência dos cuiqueiros nos ensaios da bateria, ou seja, a falta de comprometimento do instrumentista com a escola. Isso se deve talvez à quantidade excessiva de escolas que boa parte dos cuiqueiros procuram desfilar a cada carnaval, o que torna praticamente impossível participar regularmente dos ensaios de todas as escolas onde pretendem desfilar.

3) Tipos de marcação: livre X padronizada - O terceiro e último tema debatido entre os mestres e os cuiqueiros foi sobre as diferenças entre o toque da cuica ser feito de maneira livre por cada cuiqueiro ou padronizada entre todos os integrantes do naipe. Parece que sobre essa questão os mestres de bateria e os cuiqueiros compartilham da mesma opinião: favorável à padronização da marcação. Entende-se que, se todos os cuiqueiros do naipe executarem rigorosamente a mesma marcação, haverá maior definição no efeito sonoro das cuicas, maior potência de volume e o naipe soará mais harmonioso.


Acredito que a conclusão que se pode tirar dessas reflexões seja a constatação de que esses temas formam um circulo vicioso cujo eixo gira em torno do mau comportamento dos cuiqueiros. É claro que não podemos generalizar, pois nem todos se comportam mal. Mas se queremos ter apoio das escolas, ganhar couro e outros materiais que nos ajudem a reduzir os custos de manutenção dos nossos instrumentos, devemos todos agir de maneira que os mestres de bateria nos prestigiem e reivindiquem por nós o apoio que necessitamos junto à presidência e diretoria das escolas de samba. Se desejamos manter o tradicional posicionamento das cuicas na primeira fileira da bateria, devemos todos nos aprimorar musicalmente e assim fazer com que os mestres confiem na qualidade dos seus cuiqueiros. A tendência pela padronização das marcações é um esforço neste sentido, mas seu resultado apenas surtirá efeito se todos nós compreendermos que a bateria da escola de samba é um organismo coletivo onde a individualidade deve ter um papel secundário.


Mas para comprovar que também devemos dar atenção para a cuica em performances individuais, o encerramento do evento contou com a participação especial do grande Indio da Cuica. Demonstrando sua impressionante habilidade em executar melodias com a "chorona", Indio apresentou um repertório formado por músicas de sua autoria e também alguns clássicos da música popular brasileira, fechando o 1º Workshop da Cuica com chave de ouro.  

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domingo, 7 de setembro de 2014

1º Workshop da Cuica

Se existiu um tempo em que a cuica estava ameaçada de ser extinta das baterias das escolas de samba (se é que esse risco já deixou de existir), hoje podemos dizer que o futuro guarda uma perspectiva bem mais positiva para o nosso querido instrumento musical. Pelo menos no que depender dos encontros e da organização de cuiqueiros em diversas regiões do Brasil e do mundo, a cuica terá uma bela e longa existência.

Eventos como o Encontro de Cuiqueiros do Rio de Janeiro, realizado ao longo dos últimos dez anos, sempre no dia 21 de abril, e as festas promovidas pela Confederação de Cuiqueiros do Japão, são apenas dois exemplos de que esses tradicionais eventos de confraternização dos cuiqueiros tem sido de fundamental importância para o fortalecimento da arte “cuiquística”.

O 1º Workshop da Cuica vem para se somar a essa corrente. A exemplo do Movimento Salve às Cuicas, que promoveu em São Paulo o que talvez tenha sido o primeiro evento a discutir com objetividade questões pertinentes ao nosso instrumento, assim como também se buscou fazer no 4º CUICARIOCA, o fato é que precisamos buscar um entendimento maior sobre tudo o que envolve a cuica e, desta forma, encontrarmos caminhos que nos ajudem a fortalecê-la enquanto um importante elemento da nossa rica diversidade cultural.

Portanto, em nome da comissão de cuiqueiros que se dedicou à organização deste workshop com tantas boas ideias e generosidade, deixo aqui a chamada para o comparecimento de todos. Seguem os detalhes da programação: 


O 1º Workshop da Cuica é uma iniciativa cultural com os seguintes objetivos:
  • Incentivar a reflexão sobre a cuica em seus mais variados aspectos;
  • Defender a importância da cuica para o samba e a cultura brasileira;
  • Debater questões técnicas e conceituais da cuica em relação à bateria;
  • Estimular o senso de autocrítica nos integrantes do naipe de cuicas;
  • Contribuir para a integração dos movimentos de cuiqueiros do Brasil/mundo.


PROGRAMAÇÃO

10h - Abertura do evento;

10h30min - Palestra de Paulinho Bicolor sobre questões históricas da cuica;

11h - Debate entre cuiqueiros e mestres de bateria (mesa formada por Ricardo Santana, responsável pelo naipe de cuicas do Salgueiro; Nilton Carvalho, responsável pelo curso de cuica no projeto Tamborim Sensação; Mestre Ciça e Mestre Paulinho Botelho); Temas do debate:
  • Posicionamento da cuica na bateria (frente - meio - fundo);
  • Relação entre cuica/cuiqueiro e bateria/escola;
  • Marcação da cuica: livre ou padronizada?

12h - Continuação do debate com microfone aberto para participação dos ouvintes;

12h30min - Encerramento do evento;

13h - Show de Indio da Cuica.

*em seguida, será servida a feijoada e o evento se desdobrará na festa da bateria da União da Ilha do Governador.

ENTRADA GRATUITA

Data: 14 de setembro de 2014
Estrada do Galeão, 322 – Cacuia
Ilha do Governador – Rio de Janeiro/RJ

ATENÇÃO!
As camisetas do evento serão distribuídas entre 10h e 10:30min.
A feijoada servida no almoço será gratuita aos cuiqueiros. Acompanhantes pagam R$10,00.
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domingo, 31 de agosto de 2014

4º CUICARIOCA

É com grande alegria que transcrevo aqui o texto de divulgação do próximo CUICARIOCA. E aproveito para agradecer publicamente ao amigo Eduardo Menezes pela oportunidade de poder compartilhar o pouco que conheço sobre esse instrumento que nós amamos tanto. Até lá!

Amigos da cuica, 
mestre Jovenito, o Jovem da Cuica, e equipe informam a realização de mais um encontro CUICARIOCA no domingo 7 de setembro de 2014, a partir das 13h. O esquema é o de sempre. Quem puder, por favor, leve aquele pedaço (500Kg) de carne, frango ou linguiça para o nosso churrasco. As bebidas (cerveja de 600ml e litrão / refrigerante) serão vendidas no bar do G.R.E.S Mocidade Unida do Santa Marta. Dessa vez haverá um bate-papo aberto e o cuiqueiro que desejar poderá contar casos memoráveis que viveu com o instrumento, lembrar dos grandes desfiles, dos amigos que partiram, falar sobre eventos etc. Temos que manter viva a nossa trajetória! Paulinho Bicolor, do blog CUIQUEIROS, fará uma breve explanação sobre questões históricas do instrumento. E o mestre Caliquinho, do G.R.E.S. São Clemente e do bloco Espanta Neném, marcará presença com a bateria Spantosa. Não fique fora dessa!

PROGRAMAÇÃO:

13h - Abertura do evento com muito samba rolando, churrasco, bebida vendida no bar e aquela descontração entre os amigos da cuica;

15h - Palestra de Paulinho Bicolor sobre a história da cuica e seu desenvolvimento sonoro; em seguida, microfone aberto para os cuiqueiros contarem seus casos com o instrumento;

16h30min - Apresentação da bateria do bloco Spanta Neném (com a participação dos cuiqueiros - TRAGA A SUA CUICA);

18h - Agradecimentos e encerramento; na sequência, roda de samba com o grupo Força do Pagode.

ENTRADA GRATUITA
Rua Jupira, 72, Botafogo - Rio de Janeiro/RJ (Morro Santa Marta)

OBS.: o acesso à belíssima quadra da escola deve ser feito pela rua São Clemente. Aqueles que forem de carro deverão estacionar nas imediações e caminhar pela curta ladeira que leva à quadra.

A camiseta do evento estará à venda por R$15,00.


APOIO:
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